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O Recurso Que Não É Dinheiro, Mas Vale Mais Que Dinheiro

René Steuer*
 

E comum no Terceiro Setor ligarmos recursos a dinheiro porem só o dinheiro não faz com que nossas entidades progridam e cresçam. Para tal precisamos de "algo" mais - não só mais, na realidade muito mais, pois este "algo" pode nos conseguir os recursos necessários e trabalhar os detalhes para concretizar nosso projetos. Estamos falando do voluntário. Do ser humano que fará o recurso trabalhar por nossa causa!

E comum às entidades terem pouco dinheiro e pouca gente para implementar o planejado. Você tem quem cuide da comunicação?E da parte legal? Alguém que assuma a área fiscal? Tem quem possa coordenar inteligentemente um planejamento estratégico? Um evento? Construir e manter atualizado um Banco de Dados? Trabalhar em planejar e lograr a Captação de Recursos? Se esta somando "nãos" como resposta às perguntas anteriores, mas gostaria de ter as atividades mencionadas, pode contratar especialistas mediante remuneração ou obter serviços de voluntários. Contratar e difícil e exige dinheiro. Obter voluntários com freqüência pode ser a resposta.

Ter gente contratada no caso das Ongs brasileiras seria a exceção, pois 80% de nossas entidades não tem NENHUMA pessoa remunerada. Você precisa do voluntário e. o voluntário pode se beneficiar muito em servir a entidade. Ao adicionar voluntários a sua entidade, você talvez esteja enriquecendo muito suas vidas, mais ainda se for alguém aposentado, em cujo caso v. poderá estar dando mais sentido a vida dele, fazendo com que se sinta útil, importante, valioso.

O reconhecimento da grande importância do voluntário e internacional. A Assembléia das Nações Unidas criou o Dia Internacional do Voluntário em 1985. O dia 5 de Dezembro e festejado em todo o mundo. A definição que as Nações Unidas dão a este importante colaborador e “O voluntário e o jovem ou o adulto que, devido a seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte de seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não de bem estar social, ou outros campos..." Lembre desta data e homenageie seus voluntários.

No dia 5 de Dezembro de 2000, em nosso país foi inaugurado o Ano Internacional do Voluntário. Nesta data foi lançado no Brasil o Portal do Voluntário fruto da parceria entre o Programa Voluntários da Comunidade Solidária, Globo.com e TV Globo. Visite o site do Portal (www.portaldovoluntario.org.br) que encontrara valiosas informações.

Do Portal transcrevo abaixo interessantes dados internacionais sobre voluntariado:

  • Maisde 26% dos adultos graduados no Japão disseram que estão ou estiveram voluntariados. 48% disseram que a razão para voluntariarem e a idéia de que poderiam ser úteis de alguma forma e 33% são voluntários com o objetivo de adquirir uma nova experiência.
     

  • Na Coréia do Sul 3.898,564 pessoas voluntariaram mais de 451 milhões de horas em 1999. O valor econômico do voluntariado excede U$ 2 bilhões.
     

  • Cerca de um em três adultos na Alemanha voluntariam uma media de 15 horas por mês...
     

  • Cerca de 30% dos adultos na Irlanda são voluntários. O total das horas doadas equivalem a 96.454 trabalhadores integrais. 72% dos entrevistados acham que o voluntário oferece algo que o profissional remunerado nunca poderá oferecer.
     

  • Nos Estados Unidos cerca de 56% dos indivíduos voluntariam. Em 1998 estimou-se que 109 milhões de adultos voluntariaram. Ha entidades nos Estados Unidos * que inclusive anunciam oportunidades para voluntários no exterior. Em Setembro propagavam oportunidades em 28 paises, entre eles o Brasil. Os voluntários, em geral jovens sentem se atraídos pela novidade dos paises e pela busca de uma experiência de vida enriquecedora.

No Brasil, de acordo com o Censo de 2005, temos 19.7 milhões de voluntários. 53% homens, 47% mulheres. 

Segundo Leilah Landim e Celi Scanlon** “O voluntário brasileiro e o cidadao comum, de diferentes idades, níveis educacionais, rendas e religiões que doam seu tempo para atividades voluntárias em beneficio da sociedade”. Desta mesma publicação aprendemos que 57% atuam em entidades religiosas, 53% prestam serviços de limpeza e infraestrutura, 15% atuam na captação de recursos, 18% atuam em ensino e treinamento, apoio psicológico e serviços profissionais em geral. Considerando a base absoluta de quase 20 milhões de voluntários no país, o anterior significa que cerca de 3 milhões trabalham em captação de recursos. Quantos para a sua entidade? 

A publicação também nos informa que a media de horas doadas e de 74 por ano ou 6 por mês. Curiosamente 31% ou quase um em três são jovens na faixa de 18 a 34. Um belíssimo exemplo de trabalho voluntário eficiente em nosso país e a Pastoral da Criança liderada pela Dra. Zilda Arns que utilizou (2005) 265.604 voluntários em 4.051 municípios para acompanhar 1.879.559 crianças menores de seis anos. Espetacular!

Ha uma clara tendência mundial de crescimento de trabalho voluntário, Motivos para isso são: o desejo das pessoas em serem úteis, em querer apoiar causas que julguem importantes, à vontade de ajudar, de obter reconhecimento de que contribuem para melhorar as condições de outros seres humanos. O próprio aumento na expectativa de vida em nosso país disponibiliza mais tempo para o voluntariado.

O tempo doado pelo voluntário tem valor financeiro e as entidades devem contabiliza-lo. Afinal de contas se o trabalho não fosse realizado por voluntários, provavelmente seria feito por pessoas contratadas que representariam um custo monetário. No caso de sua entidade esta doação deve ser definida em valores e comunicada como recursos obtidos, para uma eventual contrapartida e como investimento em seus projetos. Podem ser cifras importantes. Dados de um estudo internacional da Johns Hopkins University (1995) publicado pela revista Idéia Social*** valorizou trabalho voluntário em um ano, no Japão U$ 282 bilhões, na Europa; U$ 500 bilhões e nos Estados Unidos U$ 675 bilhões.

A definição ordenada da necessidade e características de voluntários, bem como seu acompanhamento deve obedecer a seguinte seqüência:

  1. Analise os trabalhos que sua entidade requer.Considere as ações listadas acima e outras que podem melhorar o grau de profissionalismo de seu trabalho. Sua entidade possue uma auditoria externa? Ter um auditor externo aumenta a credibilidade de sua prestação de contas. Muitas firmas de auditoria fazem trabalho “pro bono” para entidades do Terceiro Setor.
     

  2. Coloque no papel o trabalho que você busca do voluntário, defina as responsabilidades e direitos desta função. Projete a carga horária que julga necessitar.
     

  3. Dependendo da tarefa, estabeleça um programa de treinamento para seus voluntários. Defina como serão avaliados. A avaliação e importante, pois seu trabalho deve ser analisado com o objetivo de que cada vez o faça melhor.
     

  4. Identifique (considere seu banco de dados como uma das fontes) voluntários em potencial. Se já tiver voluntários estes poderão sugerir conhecidos.
     

  5. Tenha um plano de motivação para que se sintam parte de sua entidade. Tenha também um plano para dar o devido reconhecimento aos que lhe brindaram seu tempo e dedicação.

Em síntese: os voluntários devem ser considerados como se remunerados fossem, só que seu pagamento não é em dinheiro, mas sim em motivação, aprendizado e reconhecimento.

O voluntariado e muito valioso e deve ser tratado com a importância e respeito que certamente merecem. Para trabalhar corretamente com voluntários consulte a lei 9.608 de 18/2/1998. Use o Termo de Adesão nela contido.

Ken Allen **** com seus inúmeros anos de convivência com voluntários, assim fala sobre eles: “Os voluntários alem de benefícios econômicos, contribuem com uma energia, um comprometimento contagiante e uma forte capacidade de realização na luta contra os problemas sociais”

Enriqueça sua entidade com eles!

 

*Global Crossroad (Volunteer Abroad)
**  Leilah Landim e Celi Scanlon “Doacoes e trabalho voluntario no Brasil – uma pesquisa.
*** Revista Idéia Social - Dezembro 2005.

**** Ken  Allen – ex-presidente da IAVE- International Association for Volunteer Effort

 

René Steuer* René Steuer é Bachelor of Arts (Psicologia) pelo Amherst College de Massachusetts, USA. Trabalhou em Marketing a Administração na Richardson Vicks e Procter & Gamble no Brasil, México e Venezuela. Foi um dos fundadores e preside o conselho da ABCR. Palestrante em Gestão e Captação de Recursos no Brasil, Argentina e Colômbia. Como consultor no Terceiro Setor trabalhou com a EASP-FGV, Hospital das Clinicas, Comunidade Solidária, Hospital do Câncer, Artemísia, Aldeias Infantis, OAF, CEPA C, Colégio Santo Américo, e outros.

 

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