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Editorial

Mensagem do Coordenador do CETS

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Curumins na Holanda
Luiz Carlos Merege*

A responsabilidade social empresarial assume compromissos cada vez mais desafiadores em nosso país. É o caso do Grupo Orsa que ao somar às suas atividades a Jarí Celulose, há três anos, comprometeu-se a sanar a histórica dívida social para com a sociedade brasileira criada pelo enclave de uma indústria em plena selva amazônica. Este compromisso vem sendo cumprido através com a implementação de projetos sociais na região do Jarí pela Fundação Orsa, e se constituiu, por ocasião das negociações, em um forte argumento para que o controle acionário fosse adquirido pelo grupo liderado pelo empresário Sergio Amoroso

O projeto industrial idealizado pelo bilionário armador americano Daniel Keith Ludwig em 1967, a então Jarí Indústria e Comercio S/A, compreendeu um investimento de grande porte da ordem de US$ 1 bilhão em uma área de 16 mil km2, equivalente a de alguns pequenos países europeus. Na época de sua implementação, o projeto foi questionado brandamente, pois sob o então novo regime militar, abrir a boca para protestar contra uma iniciativa apoiada pelo governo, certamente resultaria em cadeia. Mas ao longo dos anos a imagem negativa do projeto foi crescendo tanto nacionalmente como internacionalmente, o que se somou ao fracasso econômico do empreendimento devido à introdução de uma espécie vegetal asiática que não se adaptou ao clima e apresentava baixa resistência a nossas pragas e ervas daninhas. Além destes fatores, os próprios militares acabaram ficando temerosos com a dimensão geo-econômica do projeto e decidiram nacionaliza-lo por meio de iniciativas políticas, que resultaram na passagem do empreendimento para as mãos de empresários brasileiros, liderados por Augusto Trajano de Azevedo Antunes. Sob a nova liderança, o projeto acabou sendo economicamente sanado, pois a sua sustentabilidade passou a ser garantida com a introdução de nova espécie vegetal, no caso o eucalipto, que foi geneticamente adaptado à região. Após a morte de Trajano, o projeto passou a enfrentar novamente problemas em sua direção, devido ao baixo interesse dos grupos acionistas. Entretanto, a recuperação econômica do empreendimento atraiu a atenção de outros empresários que em disputa pelo controle acionário apresentaram propostas aos credores, sendo considerada a melhor, aquela apresentada pelo Grupo Orsa. 

A calamitosa situação ambiental e social provocada pelo majestoso empreendimento passou a ser o grande desafio da Fundação Orsa. Dois núcleos urbanos resultaram do projeto, que são o Laranjal e o Vitória do Jarí, com cerca de 50 mil e 10 mil habitantes, respectivamente, onde os problemas sociais são bastante graves. A determinação da Fundação de adotar como referência o desenvolvimento sustentável, em que é levada em consideração a perspectiva de que o desempenho econômico, o social e o ambiental eleve a qualidade de vida da atual população, não comprometendo a qualidade de vida das futuras gerações, significou um compromisso de investimentos permanentes na área social e na preservação do meio ambiente.  Para manter os projetos da Fundação na região, a Jarí Celulose S/A destina anualmente 1% do faturamento bruto à instituição. 

Os investimentos na área social privilegiam os projetos nas áreas educacionais e de saúde tendo como população alvo crianças, adolescentes e mulheres. A técnica de arte-educação, já consagrada pela Fundação Orsa em outros projetos sociais, tem sido aplicada com sucesso no projeto Jarí. Este é o caso do Grupo Magia de Tupã, constituído por crianças e adolescentes de três projetos sociais implementados pela Fundação na região. Utilizando a dança do boi-bumbá como ferramenta de inclusão, educação, de valorização cultural e de educação cidadã, este projeto abriga crianças e adolescentes vulneráveis e em situação de risco. A competente condução do Grupo Magia de Tupã permitiu que seus membros desenvolvessem seus talentos artísticos, ganhando reconhecimento em toda a região. Os talentosos curumins fizeram recentemente uma apresentação para uma delegação do governo holandês, que de tão impressionada, convidou-o a participar de um festival cultural na Holanda. E em meados desde mês, nossos pequenos embaixadores embarcam para uma aventura inesquecível em suas vidas, que certamente terá um impacto duradouro e positivo nas crianças e adolescentes de toda a região, estimulando-as a participar desses e outros projetos sociais. 

A saborosa vitória social da Fundação Orsa neste caso, certamente alimentará a obstinação e o prazer pelos desafios que o Grupo Orsa vem exercendo com sucesso em seus empreendimentos.

* Luiz Carlos Merege é professor titular, doutor pela Maxwell School of Citizenship and Public Affairs da Universidade de Syracuse, coordenador do curso de Administração para Organizações do Terceiro Setor e do Centro de Estudos do Terceiro Setor - CETS da FGV/EAESP. E-mail: merege@fgvsp.br

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