Análise SWOT na captação de recursos – avaliação de
oportunidades, ameaças, pontos fortes e pontos fracos
Andrea Goldschmidt*
A Análise
SWOT é uma ferramenta de gestão muito utilizada por empresas
privadas como parte do planejamento estratégico dos negócios. O
termo SWOT vem do inglês e representa as iniciais das palavras
Streghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities
(oportunidades) e Threats (ameaças).
Como o próprio
nome já diz, a idéia central da análise SWOT é avaliar os pontos
fortes, os pontos fracos, as oportunidades e as ameaças da organização
e do mercado onde ela está atuando.
Esta forma de
análise de negócios vem sendo utilizada com muito sucesso por empresas
privadas em todo o mundo e, sem dúvida, pode ser uma ferramenta de
grande utilidade para as organizações sociais brasileiras.
Como fazer a
Análise SWOT
A análise é
dividida em duas partes: o ambiente externo à organização
(oportunidades e ameaças) e o ambiente interno à organização (pontos
fortes e pontos fracos). Esta divisão é necessária porque a
organização tem que agir de formas diferentes em um e em outro caso,
como veremos a seguir.
O ambiente
interno pode ser controlado pelos dirigentes da organização, já que
ele é o resultado de estratégias de atuação definidas por nós mesmos.
Desta forma, quando percebemos um ponto forte em nossa análise,
devemos ressaltá-lo ainda mais; quando percebemos um ponto fraco,
devemos agir para controlá-lo ou, pelo menos, minimizar seu efeito.
Já o ambiente
externo está totalmente fora do controle da organização. Isso não
significa que não seja útil conhecê-lo. Apesar de não podermos
controlá-lo, podemos monitorá-lo e procurar aproveitar as
oportunidades da maneira mais ágil e eficiente e evitar as ameaças
enquanto for possível.
A análise SWOT
deve ser realizada de maneira formal uma vez por ano, mas as
informações mais importantes devem ser monitoradas constantemente.
Ambiente
Externo
Diversos fatores externos à organização podem
afetar o seu desempenho. E as mudanças no ambiente externo podem
representar oportunidades ou ameaças ao desenvolvimento do plano
estratégico de qualquer organização.
A avaliação do ambiente externo costuma ser dividida em duas partes:
-
Fatores macroambientais
- entre os quais podemos citar questões demográficas, econômicas,
tecnológicas, políticas, legais, etc.
-
Fatores microambientais
– entre os quais podemos citar os beneficiários, suas famílias, as
organizações congêneres, os principais parceiros, os potenciais
parceiros, etc.
Na prática, isso
significa que mudanças que estão totalmente fora do controle da
organização podem afetar (positiva ou negativamente) seu desempenho e
sua forma de atuação. As mudanças no ambiente externo, sempre afetam
de maneira homogênea TODAS as organizações que atuam numa mesma área
geográfica e num mesmo mercado e, desta forma, representam
oportunidades ou ameaças iguais para todo mundo. Quando ocorre uma
mudança na legislação, por exemplo, todas as organizações são
afetadas.
Um bom exemplo
disso foi o fim do incentivo fiscal que permitia a dedução de doações
de pessoas físicas no Imposto de Renda. Isso foi uma ameaça que afetou
todas as organizações de maneira igual: todas foram prejudicadas de
forma semelhante pela mudança na legislação. O que pode ter sido
diferente, de um caso para outro, foi a maneira de lidar com esta
situação e o impacto que esta mudança pode ter gerado para cada
organização.
Por outro lado,
como uma oportunidade surgida do ambiente externo, podemos citar o
crescimento dos partidos de esquerda, com maior propensão a investir
na área social. Mais uma vez, todas as organizações têm a mesma
possibilidade de se beneficiarem desta mudança no ambiente externo,
mas, como bem sabemos, nem todas vão conseguir aproveitar esta
oportunidade da mesma maneira.
Uma organização
que perceba que o ambiente externo está mudando e que tenha agilidade
para se adaptar a esta mudança, aproveitará melhor as oportunidades e
sofrerá menos as conseqüências das ameaças. Por isso, a análise do
ambiente externo é tão importante.
Toda análise de
ambiente externo deve ser acompanhada da análise do grau de
probabilidade de que um determinado evento ocorra. Por exemplo, se as
pesquisas de opinião pública indicam um maior contentamento com um
determinado governante, é mais provável que ele consiga aprovar as
medidas que propuser no Congresso. Se, ao contrário, a opinião pública
indica uma grande insatisfação com o governo atual, é provável que ele
tenha dificuldade em aprovar medidas no Congresso.
A análise da
situação deve levar em consideração não apenas o que está sendo
sinalizado como uma alternativa de cenário, mas também qual é a
probabilidade de que aquele cenário se concretize. Esta análise de
cenários deve ser permanente, porque o ambiente externo é muito
dinâmico e está sendo alterado constantemente.
Ambiente
Interno
Uma coisa é
perceber que o ambiente externo está mudando, outra, é ter competência
para adaptar-se a estas mudanças (aproveitando as oportunidades e/ou
enfrentando as ameaças).
Da mesma maneira
que ocorre em relação ao ambiente externo, o ambiente interno deve ser
monitorado permanentemente.
Em primeiro lugar
é importante fazer uma relação de quais são as variáveis que devem ser
monitoradas, por exemplo: capacidade de atendimento, demanda pelos
serviços prestados, satisfação do público alvo com o atendimento,
crescimento do número de contribuintes, nível de renovações das
contribuições, dedicação dos funcionários, capacidade de gestão das
lideranças da organização, flexibilidade da organização, etc.
Em seguida,
devemos criar uma escala para avaliar cada um destes tópicos, como no
exemplo abaixo:

Pode ser
interessante avaliar também os seus principais “concorrentes” em
relação aos mesmos tópicos, para que se possa ter clareza de quais são
os diferenciais competitivos que cada organização tem em relação às
outras com as quais compete por recursos e/ou no atendimento ao
público alvo.
O próximo passo é
determinar qual é a importância que cada um destes itens tem em
relação aos objetivos da organização. Na mesma tabela pode-se colocar
avaliações em relação à importância de cada item, como neste exemplo
hipotético:

Clique no quadro para ampliá-lo
No exemplo acima,
a satisfação do público alvo foi considerada um item de grande
importância e foi avaliada pela organização como sendo uma fraqueza.
Isso significa que devem ser direcionados esforços especiais no
sentido de melhorar a satisfação do público alvo com os serviços
prestados.
Outros itens
considerados de menor importância ou que estejam caracterizados como
pontos fortes, podem não receber recursos (financeiros, humanos e/ou
materiais) neste momento, já que, como sabemos, a organização não pode
investir em todas as áreas ao mesmo tempo e estes itens não são tão
prioritários ou tão problemáticos.
O exemplo acima
mostra como este tipo de análise ajuda na priorização das atividades,
o que é muito útil na administração dos recursos das organizações
(normalmente bastante escassos).
Quando temos
claro quais são as áreas de maior importância e quais as áreas que são
consideradas fraquezas de nossa organização, fica mais fácil
decidirmos onde devem ser alocados os esforços para melhoria, já que
não seria possível investir em todas as áreas ao mesmo tempo.
Formulação
de metas
Depois de ter
realizado uma análise SWOT, a organização pode:
-
estabelecer metas de melhoria dos itens que tenham sido considerados
prioritários e de baixo desempenho;
-
estabelecer metas relacionadas à forma de atuação no que diz respeito
ao aproveitamento de oportunidades;
-
estabelecer quais as ações que serão importantes para evitar os
efeitos de eventuais ameaças.
Estas metas serão
a base do planejamento anual de atividades da organização.
A análise SWOT é,
portanto, um instrumento de fácil aplicação e pode ser de grande
utilidade no planejamento das organizações sociais, assim como vem
sendo no planejamento de muitas organizações privadas.
* Andrea Goldschmidt é administradora de empresas pela EAESP- FGV
e atua como captadora de recursos desde 1999. Também é professora
de Marketing e Captação de Recursos na ESPM e na FACAMP e
colaboradora do Centro de Estudos do Terceiro Setor (CETS) da
Fundação Getúlio Vargas e sócia da empresa de consultoria APOENA
Empreendimentos Sociais.
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