Estudo do IPEA analisa a pobreza no Brasil
"O
Brasil não é um país pobre, mas um país
extremamente injusto e desigual, com muitos pobres", é
o que diz o estudo "A Estabilidade Inaceitável: Desigualdade
e Pobreza no Brasil" do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada.
Segundo
dados da pesquisa, em 1999 havia 14,5% da população
brasileira vivendo em famílias com renda inferior à
linha de indigência e 34,1%, com renda inferior à
linha da pobreza. Isso corresponde a 22 e 53 milhões de
pessoas respectivamente. Comparado ao ano anterior, houve um pequeno
aumento: em 1998 havia 21,7 milhões de indigentes e 50,3
milhões de pobres.
No
entanto, se analisarmos a renda per capita do Brasil com a de
outros países, não podemos considerá-lo um
país pobre: a comparação internacional quanto
a renda per capita coloca o Brasil entre o terço mais rico
dos países do mundo. Apenas 36% dos países do mundo
possuem renda per capita superior a do Brasil mas o seu grau de
pobreza é significativamente superior à média
dos países com renda per capita similar à brasileira.
A população pobre do Brasil representa 30% de sua
população total, enquanto em países com renda
per capita similares esse número é de 10%. De acordo
com essa comparação, o Brasil deveria ter apenas
8% de sua população na linha da pobreza.
Esses
dados demonstram que a origem da pobreza do Brasil não
está na falta de recursos mas na má distribuição
dos recursos existentes. Poucos detêm muito e muitos não
detêm quase nada. A renda média dos 10% mais ricos
do país é 28 vezes maior do que a renda média
dos 40% mais pobres. Nos EUA, por exemplo, a proporção
é de 5 vezes; na Argentina, 10 vezes e na Colômbia,
15 vezes.
A
conclusão é de que o enorme grau de desigualdade
na distribuição de renda, praticamente estável
nas duas últimas décadas, constitui-se como o principal
determinante da pobreza no país. As políticas de
combate à pobreza adotadas pelo Governo não são
eficazes na medida em que apenas visam o crescimento econômico.
Uma estratégia adequada seria unir políticas de
estímulo ao crescimento econômico, ao crescimento
da renda per capita e à melhor distribuição
da renda.
Fonte:
Estudo "A Estabilidade Inaceitável: Desigualdade e
Pobreza no Brasil" - Barros, Ricardo Paes de; Henriques,
Ricardo; Mendonça, Rosane - IPEA - 2001
voltar