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Pesquisa dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica
A Fundação
SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
- INPE publicaram nesse último mês um Relatório
Parcial do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica,
período 1995-2000. Este relatório apresenta os resultados
obtidos nos trabalhos de monitoramento da mata no Estado do Rio de Janeiro.
O monitorando da Mata Atlântica vem sendo feito desde 1989, com
a ajuda de imagens geradas por satélite. O primeiro mapeamento
foi publicado em 1990. No ano seguinte, a SOS Mata Atlântica e
o INPE iniciaram um mapeamento mais detalhado em dez estados brasileiros,
da Bahia ao Rio Grande do Sul. Uma nova atualização foi
lançada em 1998, desta vez cobrindo o período de 1990-1995,
com análises mais precisas devido aos aprimoramentos da tecnologia
utilizada.
Nesta fase atual, está-se utilizando tecnologia ainda mais avançada,
com interpretação digital das imagens dos satélites
e utilização de escala 1:50.000, que permite identificar
fragmentos florestais, desflorestamentos ou áreas em regeneração
acima de 10 hectares. Até a etapa anterior, só áreas
acima de 25 hectares eram possíveis de ser mapeadas.
A vegetação natural da Mata Atlântica foi sendo
reduzida drasticamente desde o descobrimento do Brasil, em decorrência
dos ciclos de exploração e da alta densidade demográfica.
Sua área original abrangia 1.360.000 km² em 17 Estados,
o que correspondia a aproximadamente 15% do Brasil. Hoje, seus remanescentes
correspondem a menos de 8% desse total.
Através do monitoramento, constatou-se que as maiores extensões
de matas contínuas e conservadas encontram?se no Corredor Ecológico
Sul (a partir de Paraty, passando por Angra dos Reis, Mangaratiba até
Rio Claro) e na região serrana, da Reserva Biológica de
Tinguá passando pelo Parque Nacional da Serra dos Órgãos
até o Parque Estadual do Desengano.
As áreas mais críticas do Rio de Janeiro localizam-se
nas regiões norte e noroeste do Estado, com grande perda de cobertura
florestal, alto grau de degradação e manchas de erosão.
Os maiores desmatamentos no Estado foram registrados nos municípios
de Rio Claro, Paraty, Macaé, Sapucaia, Carmo, Campos dos Goytacazes,
Angra dos Reis e Santa Maria Madalena.
Evolução
dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados da Mata Atlântica
no Estado do Rio de Janeiro no Período 1995-2000
|
CLASSES DE MAPEAMENTO
|
19951
|
20002
|
Desmatamento3
|
|
hectares
|
%*
|
hectares
|
%*
|
hectares
|
%**
|
|
Remanescentes
florestais
|
738.402
|
16,82
|
734.629
|
16,73
|
3.773
|
0,51
|
|
Restinga
|
40.766
|
0,93
|
40.272
|
0,92
|
494
|
1,2
|
|
Mangue
|
9.865
|
0,23
|
9.610
|
0,22
|
255
|
2,6
|
* em relação à área
avaliada do Estado equivalente a 100%
** em relação aos remanescentes florestais de 1995
1
Área avaliada no Estado equivalente a 98,26% (1,74% com
cobertura de nuvens)
2 Área avaliada no Estado equivalente a 99,99% (0,01% com
cobertura de nuvens)
3 Área avaliada no Estado equivalente a 98,25% (1,75% com
cobertura de nuvens)
Evolução
Histórica das Formações Florestais
no Estado do Rio de Janeiro
|
Ano
|
área ha
|
% cobertura
florestal natural em relação à área do estado
|
|
15001
|
4.294.000
|
97,00
|
|
19122
|
3.585.700
|
81,00
|
|
19601
|
1.106.700
|
25,00
|
|
19783
|
973.900
|
22,00
|
|
19854/6
|
914.691
|
20,83
|
|
19904/6
|
884.112
|
20,13
|
|
19955/6
|
738.402
|
16,82
|
|
20006
|
734.629
|
16,73
|
1
Fundação Instituto Estadual Florestal do Rio de Janeiro.
2 CAMPOS, Gonzaga de - Mappa Florestal.
3 MAGNANINI,Alceu;NEHAB, Maria Alice & MOREIRA, José
Carlos - 1º Simpósio Brasileiro de Senso-riamento Remoto.
4 Atlas dos Remanescentes Florestais e Ecossistemas Associados
do Domínio da Mata Atlântica no período
1985 - 1990. Fundação SOS Mata Atlântica/INPE, 1993.
5 Atlas da evolução dos Remanescentes Florestais e ecossistemas
associados da Mata Atlântica no período 1990 - 1995. Fundação
SOS Mata Atlântica/INPE/ISA, 1998.
6 Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica
no período 1995 - 2000. Fundação SOS Mata Atlântica/INPE, 2001.
Esse projeto de monitoramento
envolve mais do que o acompanhamento do desmatamento, mas também
análises qualitativas das áreas críticas ou potenciais
para a conservação da biodiversidade, além de uma
série de diagnósticos.
Os trabalhos envolvem, ainda, a busca pelo aprimoramento da legislação
e de sua implementação, com a participação
de vários elementos da sociedade civil, fiscalização
eficiente, recuperação de áreas degradadas, atuação
local e conscientização da população sobre
a importância de lutar pelo futuro das florestas. Espera-se que
este material, que possibilita a análise da dinâmica das
mudanças dos remanescentes nos Estados e municípios, permita
ações imediatas e mais efetivas pela proteção
e pela recuperação da Mata Atlântica.
Fonte:
Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica - Período
1995-2000 - Relatório Parcial - Estado do Rio de Janeiro -
Fundação SOS Mata Atlântica e Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais - INPE - São Paulo 2001
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