ISER pesquisa o que o Brasileiro pensa do Meio Ambiente
Foi
lançada em dezembro, a terceira edição da pesquisa qualitativa do
ISER “O que o Brasileiro pensa do Meio Ambiente e do
Desenvolvimento Sustentável”, coordenada por Samyra Crespo,
que dirige o Programa de Meio Ambiente e Desenvolvimento do ISER -
Instituto de Estudos da Religião.
Samyra Crespo é cientista social e há mais de 10 anos faz essa
pesquisa, realizada a cada quatro anos, conjuntamente, pelo
Ministério do Meio Ambiente, pelo Ministério de Ciência e
Tecnologia e pelo ISER. Ela é composta de dois estudos, um
quantitativo, divulgado no início do ano passado, e outro
qualitativo, que acaba de ser divulgado agora.
De maio a junho de 2002, os pesquisadores do ISER percorreram as
cinco regiões do país e entrevistaram mais de cem líderes, entre
cientistas, ambientalistas, empresários, especialistas,
parlamentares, técnicos gestores e representantes de movimentos
sociais.
Os objetivos principais da pesquisa são acompanhar a evolução da
consciência ambiental no Brasil, a maneira como os diversos grupos
organizados elegem suas prioridades e como estas se refletem nas
políticas ambientais, governamentais e não governamentais.
Foram analisados tópicos como: avaliação do Ministério do Meio
Ambiente, desde quando foi criado, bem como do governo federal na
gestão do meio ambiente; o papel das ONGs e das políticas
empresariais; a adequação às normas ambientais; a comparação entre
os resultados da Rio 92 e da Rio + 10; as expectativas em relação
aos próximos anos e a agenda ambiental prioritária.
Foram entrevistadas personalidades referências em suas áreas de
atuação, pertencentes às mais expressivas organizações
profissionais.
Veja, abaixo, alguns destaques:
Uma década de avanços
A década que se encerra foi considerada expressiva em termos dos
avanços. Na opinião dos entrevistados, estamos em franco processo
de "ambientalização da sociedade brasileira".
Institucionalização da área foi significativa em 10 anos, mas
os resultados da gestão deixam a desejar
Segundo os entrevistados, sobretudo aqueles que representam os
movimentos sociais, foi bastante expressiva a institucionalização
da área, com a criação de leis importantes, reestruturação do
IBAMA e fortalecimento do Ministério do Meio Ambiente. Mas os
resultados concretos são ainda muito aquém do esperado.
Um ambientalismo mais eficaz: 10 anos de pragmatismo
Em 1992 as lideranças então entrevistadas falavam em "crise do
movimento ecológico" e apontavam uma série de problemas a serem
superados, entre eles problemas de financiamento e falta de
profissionalização.
Em 2002, o ambientalismo brasileiro vive uma plena fase do que os
militantes chamam de "pragmatismo" ou "ecologia de resultados";
arrefeceu a oposição "ideológica" ao empresariado, fato devido em
grande parte à própria atitude de parte deste setor - que vem
respondendo positivamente à demanda por se adequar às normas
ambientais existentes.