Estudo
analisa a relação dos jovens e o uso de armas
O
Viva Rio e o ISER lançaram no último mês,
no Rio de Janeiro, a pesquisa "Crianças afetadas
pela violência armada organizada: um estudo de crianças
e adolescentes envolvidos nas disputas territoriais das facções
de drogas do Rio de Janeiro", que analisa a utilização
de armas leves e a participação dos jovens (menores
de 18 anos) no comércio de drogas.
A pesquisa foifeita a partir de dados oficiais fornecidos
pelo governo brasileiro e por entrevistas realizadas com jovens
(residentes em regiõespobres), médicos, policiais,
traficantes e ex-traficantes, em dezoito comunidades. Um dos
objetivos do estudo foi definir a participação
dos jovens na violência urbana. O levantamento revela,
entre outros, como os jovens começam a atuar na disputa
pelos pontos de vendas de entorpecentes e como utilizam armas
do tipo pistolas e fuzis.
O trabalho procura apontar as razões sócio-econômicas
que levam os jovens a ingressar no mundo do crime e propõe
alternativas para evitar o ingresso deles em atividades ilícitas.
Segundo o organizador do estudo, Luke Dowdney, os jovens do
Rio de Janeiro não fazem parte de uma guerrilha, a
exemplo de países como Colômbia e Serra Leoa
(África), nem são membros de gangues urbanas,
como nas cidades de Los Angeles e Nova York (Estados Unidos).
"A situação dos menores no Rio, recrutados
em quatro facções criminosas que controlam o
narcotráfico na região, fica melhor definida
como integrantes da violência armada organizada. Trata-se
de uma análise complexa, pois existem diversos fatores
que os levam a ingressar na marginalidade. A exclusão
social e a falta de perspectivas de vida são os principais
causadores desse processo", explica Dowdney, que completa
afirmando que, dos mais de 100 jovens entrevistados, metade
prefere levar uma vida fora da marginalidade.
O objetivo do trabalho é buscar uma melhor definição
do contexto onde os jovens estão atuando a fim de buscar
soluções para o problema. Um dos problemas apontados
por Dowdney é a falta de políticas para evitar
que os jovens ingressem na vida marginal. O pesquisador disse
que existem propostas para retirá-los do crime, mas
pouco há em andamento para evitar que os jovens ingressem
na bandidagem.
A pesquisa está disponível na integra no site
www.desarme.org.