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A Voz dos Adolescentes

Foi lançada recentemente, pelo UNICEF - Fundo das Nações Unidas para a Infância, a pesquisa "A Voz dos Adolescentes". Este foi o primeiro estudo de âmbito nacional a ouvir o que os adolescentes brasileiros - de todas as regiões geográficas, de níveis de renda e escolaridade diversos e de diferentes raças - pensam sobre escola, trabalho, família, amigos, futuro, dentre outros.

Como a edição deste mês da Revista IntegrAção tem como eixo central o tema da Educação, selecionamos algumas informações sobre o que os adolescentes brasileiros pensam sobre a educação no país. Todavia, o leitor que quiser consultar a pesquisa na integra, pode encontrá-la no site do UNICEF (www.unicef.org.br).

Pesquisa

O Brasil têm hoje 21.249.557 adolescentes, o que significa 12,5% da população nacional. Deste total 49,6% são do sexo feminino e 50,4% do sexo masculino. Para a realização da pesquisa foram entrevistados 5.280 adolescentes, entre 12 e 17 anos, e a proporção entre homens e mulheres foi seguida.

O levantamento dos dados foi realizado em duas fases. Na primeira foi feita uma análise quantitativa, a partir de um questionário com 148 perguntas. O conjunto de perguntas foi dividido por temas, com o objetivo de apreender a realidade do adolescente brasileiro, suas necessidades, expectativas, dificuldades, além do impacto do Estatuto da Criança e do Adolescente na vida desses garotos e garotas.

Na segunda parte da pesquisa, utilizaram-se técnicas de análises e abordagens qualitativas para a obtenção de resultados que expressassem, de forma mais apurada, a complexidade da realidade social. A pesquisa qualitativa tem como função fornecer uma visão diferenciada sobre fenômenos sociais.

Com relação à educação 93,2% dos adolescentes freqüentam a escola e 6,3% afirmaram não ir à escola regularmente. As regiões Sudeste e Nordeste têm o maior número de adolescentes que não vão à escola com regularidade (6,9% em ambas). No Centro-Oeste, Sul e Norte, os índices são de 4%, 5% e 5,5%, respectivamente.

Entre aqueles que freqüentam a escola, 51% são do sexo masculino e 49%, do feminino. Entre os que não freqüentam, 53,4% são do sexo masculino e 46,6%, do feminino.

No cruzamento da variável raça com a freqüência à escola, observa-se que, entre os entrevistados que estudam, 39% são brancos, 38,4%, pardos, 13,2%, pretos, 3,4%, amarelos e 1,2%, indígenas. Dos alunos que não freqüentam 40,3% são pardos, 33,4%, brancos, 16,7%, pretos, 2,7%, amarelos e 1,8%, indígenas.

Entre os adolescentes que freqüentam a escola, 10,9% exercem alguma atividade profissional e 84,9%, não. Dos alunos que não freqüentam a escola, 27,8% trabalham e 65,4%, não.

Os adolescentes não estão satisfeitos em relação ao espaço físico de que dispõem nas escolas: 61% dos entrevistados disseram que sua escola não é agradável, nem segura e não tem muito espaço para atividades, contra 39% que disseram o contrário; para 67%, o espaço físico não é bom, sem boas salas e pátio, contra 33% que afirmam que há boas salas e pátios em suas escolas.

Há diferenças entre os adolescentes nas escolas públicas e particulares. Entre os adolescentes matriculados em escolas públicas 35,2% consideram o colégio agradável, seguro e com muito espaço. Já, os alunos de estabelecimentos particulares 52,5% têm a mesma percepção. Da mesma forma, 31,7% dos adolescentes matriculados em escolas públicas consideram o espaço físico da escola bom. O mesmo dado sobe para 39,1% entre adolescentes de colégios particulares. Entre os alunos das escolas públicas, 17,9% consideraram o espaço físico da escola mal cuidado. O mesmo foi dito por 4,6% dos adolescentes alunos de estabelecimentos particulares.

Nota-se que a questão da educação aparece claramente como um universo de contradições e desafios. Por um lado, um grande esforço de garantia de acesso foi realizado com êxito, entretanto a qualidade do ensino oferecido e as dificuldades para os adolescentes mais pobres ficam mais evidentes.


Fonte: Pesquisa "A Voz do Adolescente", UNICEF, 2002

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