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Pesquisa Ethos/Valor
Fatores econômicos e financeiros têm
pouco peso na formação da imagem da empresa.
Gestão ética é valorizada pelos consumidores.
Aspectos que a maior parte dos investidores levam em conta ao avaliar
negócios como desempenho, tamanho da operação
e tipo da gestão têm um papel tímido
na formação da imagem das empresas entre os brasileiros.
A impressão de 51% dos consumidores do país sobre
determinada empresa está relacionada à qualidade do
tratamento dos funcionários e a uma conduta ética
nos negócios, segundo a pesquisa "Atuação
social das empresas - Percepção do consumidor",
do Instituto Ethos de Responsabilidade Social e do Valor, realizada
pela Indicator Opinião Pública.
A preocupação
com estas questões, segundo o diretor-presidente do Ethos,
Oded Grajew, revela carências existentes no país. "O
que falta é muito valorizado, onde a prática é
comum ela praticamente não recebe atenção."
As expectativas em relação
aos padrões de conduta e operação das empresas
também são altas.
O empenho das empresas
em ajudar a resolver problemas como criminalidade ou pobreza, sua
abertura para responder às preocupações da
sociedade e o apoio a projetos comunitários, porém,
não preenchem as expectativas dos consumidores. Oito outras
questões relacionadas à responsabilidade social foram
consideradas como atribuições mais importantes das
empresas pelos entrevistados, seguindo um padrão similar
ao registrado em outros países do mundo.
Para 85% dos brasileiros,
a empresa deve assumir integralmente responsabilidades como tratar
todos os seus funcionários e candidatos a emprego de forma
justa, sem discriminações (85%), proteger a saúde
e a segurança dos trabalhadores (80%) e garantir que seus
produtos e operações não sejam prejudiciais
ao meio ambiente (74%). Estes itens encabeçaram a lista sobre
os aspectos que os entrevistados consideram como atribuições
de total responsabilidade da empresa, em um total de 11 apresentados.
Os resultados trazem
uma mensagem bastante clara, segundo avalia Grajew: é necessário
haver coerência nas ações das companhias. As
colaborações com a comunidade devem fazer parte de
uma prática que permeia toda a conduta de negócios.
É uma perspectiva
que não admite, por exemplo, que uma empresa anuncie cortes
de pessoal na mesma semana em que divulga lucro recorde. O procedimento
pode até fazer sentido para o negócio em um determinado
momento. Mas não apenas prejudica a imagem da empresa perante
os consumidores como compromete a sobrevivência da marca a
médio e longo prazos.
"É um alerta
para quem acha que basta apoiar projetos na comunidade", diz
o presidente do Instituto Ethos. "Não adianta convidar
alguém para jantar quando não costuma haver comida
em casa." A conduta deve ser consistente como um todo. A responsabilidade
social, que segundo Oded Grajew, já viveu momentos em que
era confundida com ações de marketing está
se incorporando à gestão empresarial. Até por
uma necessidade de sobrevivência do negócio.
(Fonte: Valor Econômico
- 19/06/2000)
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