IPEA
- Ação Social das Empresas: "Bondade ou Interesse?"
O
IPEA divulgou recentemente a terceira etapa da pesquisa Ação
Social das Empresas: "Bondade ou Interesse? Como e por
que as empresas atuam na área social" 1,
coordenada por Anna Maria T. Medeiros Peliano. O estudo acrescenta
uma dimensão nova a pesquisa Ação Social
das Empresas, trazendo dados qualitativos relevantes sobre quais
as motivações e atitudes do setor privado no campo
social. Tal pesquisa foi desenvolvida nas seguintes regiões
metropolitanas: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Foram identificadas 59 empresas que haviam declarado na etapa
anterior desenvolverem ações sociais nas áreas
de assistência social, alimentação, saúde
ou educação, mas apenas 47 empresas participaram
da pesquisa que foi realizada entre os meses de outubro e dezembro
de 2000. Segundo os dados da pesquisa, o motor da ação
social é a filantropia: 76% das empresas declararam realizar
alguma atividade social por motivos humanitários.
O
IPEA foi o primeiro a realizar uma pesquisa de âmbito
nacional sobre a Ação Social das Empresas envolvendo
micro, pequenas e médias empresas. Outros estudos, realizados
até então, ficavam restritos a grandes empresas.
Tal pesquisa teve por objetivo identificar espaços nos
quais a ação social do Estado, limitada por motivos
gerenciais e financeiros, fosse complementada por outras iniciativas
da sociedade, tanto das empresas privadas como das organizações
do Terceiro Setor.
O
conceito de Ação Social Empresarial utilizado
foi amplo: "considerou-se qualquer atividade que as
empresas realizam para atender às comunidades, nas áreas
de assistência social, alimentação, saúde,
educação, meio ambiente e desenvolvimento comunitário,
dentre outras. Essas atividades abrangem desde pequenas doações
eventuais a pessoas ou instituições até
grandes projetos mais estruturados, podendo, inclusive, estender-se
aos empregados da empresa e a seus familiares. (...) No
entanto, as atividades executadas por obrigação
legal, como, por exemplo, o cumprimento de normas ambientais
em razão do licenciamento ambiental, as contribuições
compulsórias ao SEBRAE, SESI, SESC, SENAI, SENAC e SENAR
e o atendimento obrigatório aos empregados, como o vale-transporte
e o salário-família, foram excluídas"2.
A
pesquisa foi realizada em etapas. Em 1999, foi feita na região
Sudeste; em 2000, nas regiões Nordeste e a Sul; e por
fim em 2001, nas regiões Centro-Oeste e Norte (tendo
como base dados do ano anterior ao ano de realização
da pesquisa)3.
Em
cada região foram pesquisadas em média 1.800 empresas.
A amostra foi elaborada com base no cadastro do Ministério
do Trabalho e composto pela Relação Anual de Informações
Sociais (RAIS) e pelo Cadastro de Empregados e Desempregados
(CAGED), o mais completo cadastro de âmbito nacional.
A
primeira foi realizada por telefone e tinha por objetivo identificar
as empresas que realizaram ações sociais para
comunidades, empregados e familiares no ano anterior ao do levantamento
e de colher informações sobre as características
dessas empresas, tais como origem do capital, o tamanho (por
número de empregados e por receita bruta) e o ano de
criação. Os resultados desta pesquisa estão
presentes no documento Quem são?, Onde estão?.
Na
segunda etapa da pesquisa, foi enviado um questionário
mais detalhado pelo correio a todas as empresas que afirmaram,
na primeira etapa da pesquisa, que desenvolviam algum tipo de
ação social. Estes resultados estão no
trabalho "A iniciativa privada e o espírito público".
Veja
alguns dados interessantes:
-
59%
das empresas com um ou mais funcionários realizam algum
tipo de atividade em benefício da comunidade.
-
465
companhias aplicam 0,4% do PIB (R$ 4,7 bilhões) em
projetos sociais, valor próximo ao que o país
investe em pesquisa e desenvolvimento (P&D), e estes recursos
são privados uma vez que apenas 6% deste universo utilizam-se
de incentivos fiscais.
-
Dos
R$ 47 bilhões aplicados em 2000, 83% foram desembolsados
por empresas da região onde vivem 18% dos indigentes.
-
A
pesquisa ouviu 9.140 empresas entre os anos de 1999 e 2001,
e os resultados afirmam que o Sudeste é o que mais
investe em ações sociais no Brasil. O segundo,
para surpresa de todos, é o Nordeste, seguido do Centro-Oeste,
Norte e Sul. Segundo a coordenadora da pesquisa isto se deve
ao fato das microempresas do Sul não terem uma participação
significativa e porque os estados desta região são
desenvolvidos e as carências não são tantas,
ao passo que o Nordeste concentra 63% dos indigentes do país.
-
No
Sudeste e Sul, 90% dos investimentos são feitos por
empresas de grande porte; nas demais, a participação
cai para 60%.
-
54%
das empresas desenvolvem projetos de assistência social
e 41% de alimentação, enquanto que o Sul se
esforça para oferecer educação.
-
Quando
observa o porte das empresas tem-se que as maiores empresas
são as que mais participam, 88%; as micro e pequenas
(1 a 10 empregados), 54%; e de 11 a 100 funcionários,
69%.
-
Dos
setores econômicos, a pesquisa mostra que 61% do comércio
atua na área social; 60% da indústria; 58% dos
serviços; 45% da agricultura e a porcentagem mais baixa
é da construção civil, com 35%.