ISER elabora indicadores
da violência no RJ
Terceiro Setor contribui para a diminuição
da violência
O
ISER vem desenvolvendo indicadores da violência na cidade
do Rio de Janeiro, que trará
resultados mensais e que apresenta uma visão epidemiológica
do impacto da violência na
saúde pública. A pesquisa é parte do projeto
"Epidemiologia das Causas Externas - Dados para Tomada de
Decisão", que tem o objetivo de propor estratégias
de prevenção e controle das causas externas (acidentes
e violência).
A
pesquisa mostra que o ano de 1994 foi o pior período para
o Rio de Janeiro: o número de óbitos por homicídio
chegou a 4377. Esse crescimento teve início nos anos oitenta,
chegando ao pico em 1994. A linha ascendente torna-se mais abrupta
no final da década, a partir de 1988. O crescimento entre
1983 e 1994 foi da ordem de 194%.
Esses
números são apontados como sendo resultantes de
diversos fatores, tais como as perdas econômicas dos anos
oitenta; o agravamento das diferenças sociais no ambiente
urbano (com a expansão das favelas); a crise dos serviços
públicos e o início do aumento da população
jovem que forma, justamente, o grupo mais exposto aos riscos da
violência.
No
entanto, esse número teve uma queda de 35% nos últimos
6 anos. A partir da segunda metade dos anos noventa a taxa de
homicídio por 100.000 habitantes declina ininterruptamente.
A
pesquisa aponta entre os fatores importantes que contribuíram
na diminuição dessa taxa o surgimento de movimentos
sociais pró-ativos, de grande escala, como a Campanha contra
a Fome e o Viva Rio, que mobilizaram a cidade para o enfrentamento
dos seus problemas; a multiplicação de projetos
sociais nos bairros pobres, por ações governamentais
e não governamentais, sobretudo para crianças e
jovens, e na área educacional, e a organização
das comunidades através de associações de
moradores, ONGs, entidades religiosas, beneficentes, culturais
e recreativas.
O
antropólogo Rubem César Fernandes, um dos responsáveis
pela pesquisa, analisa a situação afirmando que
é difícil a redução desses números
mas não é impossível. E completa dizendo:
"E como vimos, esta não é uma tarefa apenas
para o governo ou para as polícias. Envolve a nós
todos, em múltiplos níveis e inumeráveis
ações".
O
inteiro teor da pesquisa está disponível no site
do ISER - www.iser.org.br.