Prospecção de doadores e parceiros
Andrea Goldschmidt*
A prospecção de
doadores e parceiros é uma atividade estrategicamente importante
no processo de captação de recursos de qualquer organização
social.
De acordo com o
que foi abordado no artigo “Planejamento estratégico para captação
de recursos”, publicado nesta revista no mês de março/2003, o
planejamento da captação de recursos de uma organização deve ser
uma conseqüência do seu planejamento estratégico.
Uma vez
definida a missão da organização, os problemas que ela se propõe a
combater e a forma como irá atuar na comunidade (os projetos
sociais que serão desenvolvidos), fica fácil definir que
recursos serão necessários para viabilizar estas
atividades.
A primeira parte do plano, então,
está pronta: o ORÇAMENTO ANUAL. O orçamento anual deve conter
todas as informações sobre as necessidades financeiras, materiais
e humanas da organização, para a execução das atividades
propostas.
O próximo passo
é definir de onde virão estes recursos. Existem
muitas alternativas de potenciais parceiros para qualquer projeto
social: governos, empresas, fundações, pessoas físicas, entidades
religiosas, projetos de geração de renda, organização de eventos
para captação de recursos, etc. Cada uma destas possíveis fontes
de recursos tem características próprias – doam para fins
diferentes, de formas diferentes, tem interesses diferentes,
exigem estruturas diferentes das organizações parceiras e
representam desafios diferentes a serem superados.
A maior
dificuldade neste ponto do planejamento é definir que fontes
são mais adequadas ao seu projeto social. Esta decisão
deve ser tomada levando em consideração as características do
projeto, as características da organização e os objetivos do plano
de captação de recursos.
Os quadros 1 e
2, abaixo, mostram algumas oportunidades e alguns desafios de
trabalhar com cada tipo de parceiro e podem ajudar a sua
organização a avaliar por onde começar.
MONTAGEM DE UM BANCO DE DADOS
Uma vez definidas as fontes de
financiamento com as quais a organização tem mais afinidade,
deve-se começar o trabalho de prospecção propriamente dito.
Se uma organização definiu como
prioridade a captação de recursos junto a empresas, por exemplo,
precisará selecionar quais são doadoras em potencial.
Nem todas as empresas são
candidatas a doadoras, é preciso verificar a afinidade da missão
da organização à causa escolhida pela empresa em seu programa de
responsabilidade social.
Depois de selecionadas as
empresas que possuem esta afinidade de interesses, a organização
irá iniciar o processo de coleta das informações que irão compor o
banco de dados da organização. A montagem do banco de dados
envolve uma série de decisões como:
-
que informações são relevantes,
-
como os dados serão coletados,
-
como os dados serão armazenados,
-
qual será o sistema de gerenciamento
deste banco de dados, etc.
Como o processo de coleta de
informações é bastante complexo e oneroso e os dados se
desatualizam com freqüência, é fundamental que a organização
decida de ante mão que informações são relevantes. Algumas
informações que podem ser coletadas:
-
Dados cadastrais
– como por exemplo: nome ou razão social, endereço, telefone, CPF
ou CNPJ, data de aniversário (no caso de pessoas físicas), nome
dos principais executivos (no caso de empresas e fundações);
-
Dados de investimento
social – quais são as
áreas de interesse, quais são as organizações que apóia ou já
apoiou no passado, qual o valor que doa anualmente, o que doa
(dinheiro, produtos, mão de obra), etc;
-
Dados do relacionamento
com a organização –
contatos que já foram feitos, andamento dos processos de
solicitação, etc.
Cada
organização deve decidir que informações são relevantes na
estruturação do seu banco de dados e deve pensar no processo de
atualização periódica destas informações.
COLETA DE INFORMAÇÕES
Uma fonte importante de
informações é a internet. Através da rede pode-se buscar
informações de diversas maneiras:
-
através da consulta ao
site das empresas escolhidas;
-
através de bancos de dados
de financiadores como os que estão disponíveis nos sites do GIFE (www.gife.org.br),
do Programa Fomento Social da FGV/EAESP (http://fosocial.fgvsp.br),
do Ceris (www.ceris.org.br),
entre outros;
-
através de sites de busca
como Google (www.google.com.br)
ou Altavista (www.altavista.com.br),
digitando palavras-chave que ajudem a identificar financiadores
para causas específicas;
-
através de consultas a sites de organizações congêneres de onde se possa verificar quais
são os parceiros de projetos similares aos de sua organização;
Outra importante fonte de
pesquisa de informações são os guias de financiamento, como o
Manual de Financiadores do GIFE e o Guia de Financiadores Support.
Os dados também podem ser
coletados na mídia, através de informações que são publicadas em
jornais e revistas ou através de informações obtidas junto a
funcionários das empresas de interesse.
ARMAZENAMENTO DOS DADOS
Existem muitos sistemas de
gerenciamento de bancos de dados, mas as organizações menores
podem começar a organizar seu banco de dados através de pastas ou
fichas de cada empresa, onde os dados podem ser anotados e
atualizados a cada novo contato.
À medida que a quantidade de
informações aumenta, um sistema de gerenciamento eletrônico de
banco de dados pode ser uma solução necessária. Eles ajudam a
resgatar informações de forma mais ágil e ajudam no gerenciamento
dos contatos, dando informações sobre quais os prospects que
precisam ser contactados, que informações precisam ser
atualizadas, etc.
CONCLUSÕES
-
A elaboração de um plano para
prospecção de novos parceiros e doadores é uma tarefa
fundamental no sistema de captação de recursos. A prospecção bem
feita irá facilitar o trabalho de captação, no sentido de
direcionar as atividades da equipe para contatos com maior
probabilidade de sucesso.
-
A internet pode ser uma
ótima fonte de informações, mas não deve ser a única.
-
Existem muitas formas de
buscar informações pela internet, mas as organizações precisam
tomar cuidado para que este trabalho seja realizado de forma
produtiva. É comum que se perca muito tempo navegando na
internet, sem que se consiga obter informações relevantes. Desta
forma, é importante selecionar bem os caminhos para busca de
informações, para que se tenha informações relevantes, sem um
alto custo de pesquisa.
-
A seleção das
informações que serão coletadas deve ser feita com bastante
rigor, para evitar a construção de um banco de dados grande, mas
com informações irrelevantes ou desatualizadas.
-
Os sistemas de
gerenciamento eletrônico de bancos de dados, apesar de serem
muito úteis, não são indispensáveis para o início do trabalho. A
organização que não dispuser de meios para adquirir um sistema
destes pode iniciar a criação do banco de dados de uma forma
manual e ir evoluindo para sistemas mais complexos à medida que
o volume de trabalho aumentar.
Quadro 1 – Comparativo entre as
fontes de financiamento - Vantagens
Quadro 2 – Comparativo entre as
fontes de financiamento - Desafios