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Entrevista: Cleodon Silva
Cleodon Silva
é técnico metalúrgico, fundador e atual coordenador
do Instituto Lidas. Atuou durante 20 anos no movimento sindical
- coordenou a Oposição Sindical Metalúrgica
de São Paulo/capital, foi dirigente da CUT Metropolitana
e da CUT estadual/SP. Atualmente é profissional em geoprocessamento
e em tecnologias de informações.
Cleodon está
desenvolvendo uma experiência inédita, na qual utiliza
técnicas de geoprocessamento e novas ferramentas da informática
para viabilizar o fortalecimento da sociedade civil e uma melhor
apropriação da cidade por parte dos cidadãos.
O grande diferencial de seu trabalho, além da utilização
de ferramentas modernas de informática, é sua proposta
de uma nova divisão territorial da cidade de São Paulo.
Segundo Cleodon, a atual divisão territorial da cidade de
São Paulo em distritos não viabiliza uma apropriação
do espaço pela população local, servindo de
referência apenas para técnicos e estudiosos. Assim
sendo, Cleodon foi um dos responsáveis pela proposta de criação
das unidades de planejamento participativo.
Na entrevista
que se segue você terá mais informações
sobre como surgiu e o que é a unidade de planejamento
participativo e como Cleodon Silva, com o apoio de uma organização
não lucrativa (Casa dos Meninos), está implantando
tal idéia e dando os primeiros passos no sentido de viabilizar
uma melhor compreensão e apropriação do espaço
pela população local.
Revista IntegrAção:
Como surgiu a idéia das Unidades De Planejamento Participativo?
Cleodon Silva:
Em 1995 a prefeitura de Belo Horizonte, com o apoio das equipes
técnicas da Secretaria Municipal do Planejamento e da PUC/MG,
desenvolveu o Índice de Qualidade de Vida (IQVU) para a cidade
de Belo Horizonte. Foi neste trabalho (ver em: http://www.pbh.gov.br/smpl/iqvu/)
que conheci o conceito de Unidade de Planejamento desenvolvido
para BH naquele contexto. O que me chamou atenção
foi o tamanho médio das áreas das unidades definidas.
Em 1992 acabava
de ser aprovada na cidade de São Paulo a nova territorialização,
que definia os distritos administrativos (ver em: http://www.lidas.org.br/novasp/index.html).
Eu observei que o tamanho médio das áreas dos distritos
era bem maior do que havia sido proposto em Belo Horizonte.
Em 1993, foi
realizada a pesquisa Perfil da Criança e do Adolescente
na Cidade de São Paulo (http://www.lidas.org.br/perfil/index.html),
que utilizou como referência territorial a nova divisão
distrital (uma vez que, os distritos já nasceram com consistência
censitária correspondentes aos limites utilizados no censo
de 1990). Todas as vezes que apresentei esta pesquisa em reuniões
do movimento sindical ou popular, encontrei muitas dificuldades.
Apesar da consistência dos dados e da precisão territorial
percebia que os dados não eram tomados como suporte para
elaboração de políticas e de planos de ação,
porque ficavam distante da noção de localidade do
cidadão comum. O sentimento de pertencimento fica numa área
menor que o distrito, restringi-se a área de consumo cotidiano.
Naquele momento
minhas reflexões se debatiam na busca de uma área
que fosse referência concreta do pertencimento tipo: "Este
é o meu pedaço!". Ao mesmo tempo, que fosse
uma área de consistência censitária, quer dizer
uma área que correspondesse a um conjunto de setores censitários
(ver: http://www.lidas.org.br/upp/setcen.html).
Estas reflexões
juntamente com minha luta de organização do movimento
sindical e popular pela base colocavam a seguinte questão:
como "produzir" uma área com bases censitárias
que fornecesse suporte para um planejamento local elaborado, com
uma efetiva participação dos sujeitos sociais imbuídos
de sentimentos de pertencimento e de propriedade local?
A primeira parte
do desafio foi basicamente resolvida pela pesquisa de origem e destino
de 1997 do Metrô de São Paulo, uma ferramenta preciosa
para o planejamento urbano (ver metodologia em: http://www.lidas.org.br/upp/metro/metro.htm).
A área da pesquisa foi definida respeitando os limites dos
setores censitários e dos distritos administrativos. Na
capital foram definidas 270 áreas da pesquisa. Esta divisão
aproveita todo o estudo que embasou a constituição
dos distritos, supera os limites intraurbanos da cidade e acrescenta
valor na medida que produz os conhecimentos sobre o tipo e o modo
como a população se desloca entre estas áreas.
Podemos afirmar que cada uma destas áreas mantém
os principais elementos da heterogeneidade socioeconômica
da região metropolitana e se aproximam sobremaneira da noção
de localidade do cidadão comum.
Para propiciar
o início do diálogo com os sujeitos sociais de uma
destas áreas seria necessária a organização
dos dados de uma forma que possibilitasse uma rápida visualização,
ou seja, uma identificação territorial dos mesmos.
Com o nosso domínio das tecnologias do georeferenciamento
dos dados em bases cartográficas digitais e com algumas referências
teóricas (ver: http://www.lidas.org.br/upp/refere.html)
pudemos elaborar uma coletânea com dados disponíveis
da região e iniciar um diálogo.
Revista IntegrAção: Como iniciou o projeto piloto
da UPP 254?
Cleodon Silva: Iniciamos nossa intervenção
na comunidade em dezembro de 1999. Ano pré-eleitoral e nesse
momento já existiam os pré-candidatos a prefeitura
da capital paulista. Mesmo conscientes de que dificilmente os pré-candidatos
atenderiam nosso chamado fizemos questão de convidá-los
e convidamos também os presidentes dos partidos políticos
que nas eleições de 1996 obtiveram mais de mil votos
na UPP-254, com o intuito de fornecer a todos a coletânea
com os dados da região.
Esta decisão foi importante para deixar bem claro nossa determinação
de trabalhar com todos, independentemente de sua filiação
partidária, como também deixar claro que nossa iniciativa
não era "invenção de político"
em véspera de eleição.
Apresentamos o perfil da região e a coletânea com os
principais elementos espaciais básicos: empresas, entidades
e escolas. Foi apresentada a pesquisa 'Origem e Destino' e outros
dados de interesse para os presentes. Como prevíamos as atividades
no mês de dezembro já concorriam com as festas de final
de ano e a presença foi pouca, porém cumpriu o objetivo
de iniciar os entendimentos e construir uma agenda comum.
No segundo seminário, em fevereiro de 2000, já foi
possível estabelecer alguns objetivos comuns. Pelos dados
da pesquisa 'Origem e Destino' verificamos a existência de
22 mil jovens entre 7 e 21 anos. Pelo banco de dados fornecido
pela Secretaria do Estado da Educação verificamos
que, mesmo sendo praticamente igual o número de escolas municipais
e estaduais, o número de vagas nas escolas estaduais era
bem menor que o número de alunos das oitavas séries
das escolas municipais. Este gargalo foi identificado como um nódulo
que provoca um período fora da escola para muitos jovens
da região, se constituindo num forte celeiro para o crime
organizado. Naquele momento estávamos com a informação
de que em um levantamento da evasão escolar feito numa das
escolas municipais foram encontrados 25 jovens presos por furtos,
que significa um por cento do efetivo da escola. Estas constatações
e a presença majoritária de professores influíram
para que os primeiros objetivos comuns se dessem na área
da educação priorizando a intervenção
entre os jovens das oitavas séries.
Coincidentemente, neste período a Casa dos Meninos
recebeu um convite da Fundação Vitae para apresentar
um projeto que priorizasse os jovens entre 14 e 17 anos e que contasse
com uma parceria de uma ou mais escolas públicas da região.
Mesmo com as dificuldades do período de férias, conseguimos
estabelecer um processo de construção coletiva do
projeto a ser enviado à Fundação. O objetivo
foi a implantação de um centro de informática
com os seguintes objetivos:
- proporcionar
às crianças e adolescentes de baixa renda conhecimento
de novas tecnologias e ciências que lhes permitam a apropriação
de espaços e serviços públicos e de bens
culturais. Dominar sistemas de informação em geral
e aos destinados aos jovens em sua cidade e, principalmente, em
seu território, para que estes conhecimentos lhes sirvam
como ponto de partida para sua inserção social consciente,
crítica e integrada na comunidade.
- construir
um Sistema de Informação integrado com a Internet
que preste serviços efetivos à juventude tornando-se
uma referência no seu cotidiano.
A forma como
foi construído o projeto permitiu sentirmos segurança
para começar implantação independentemente
da aprovação dos recursos da Fundação
Vitae (meses depois saberíamos que nosso projeto não
seria contemplado pela Vitae). A Casa dos Meninos juntamente
com o Instituto Lidas, tomou a iniciativa de iniciar com oito jovens
um curso de Informática e Cidadania, com o compromisso por
parte dos jovens de que no início das aulas (março
de 2000) eles iniciariam a reprodução deste curso
para os jovens indicados pelas escolas participantes. Em abril,
se iniciou o curso com 40 jovens, oito escolas indicaram cinco jovens.
Os microcomputadores necessários ao curso foram encontrados
no período ocioso dos laboratórios das escolas (inicialmente
de três escolas participantes) e alguns micros na Casa
dos Meninos.
Em síntese,
em quatro meses a movimentação desses 48 jovens, juntamente
com algumas entidades sociais e com diretores e alguns professores
das escolas participantes, possibilitou a produção
de relações que aos poucos foram se tornando mais
efetivas, permitindo a aproximação de outros sujeitos
sociais.
No ano de 2000,
várias iniciativas tais como: o lançamento de um exemplar
do jornal RETRATO DA UPP; a elaboração e execução
de dois projetos premiados pelo Clik Educação
e pelo Centro de Voluntariado de São Paulo; assim
como, a realização de um significativo evento cultural
Cultura no Feirão: 12 Horas de Alegria, que aproximou mais
entidades e ampliou a divulgação da proposta na região.
Revista IntegrAção:
Como vocês se organizaram?
Cleodon Silva:
Esta é a parte mais difícil de explicar. Não
temos sede, não temos telefone, não temos funcionários,
não temos CNPJ, enfim não existimos institucionalmente.
Mais ainda, não temos coordenador! Não temos votação!!
Não temos uma maioria subordinando uma minoria! Não
temos programa político!!!
No artigo que
escrevi para o jornal Retrato da UPP utilizei duas metáforas.
A primeira o vôo das andorinhas que numa revoada mantém
uma harmonia de conjunto. A segunda, foi a da construção
de um grande espelho sobre a UPP-254 onde todos pudessem se projetar
e no mesmo momento que se dá à projeção
individual é possível enxergar o conjunto e pelo movimento
do conjunto o indivíduo se autodetermina na complexidade
do todo. Estou em busca de fundamentos teóricos para esta
utopia. Tenho me aproximado de algumas leituras que tratam da teoria
da complexidade e cada vez mais aumenta minha disposição
nesta direção onde tenho tentado tirar conseqüência
prática destes novos conhecimentos.
Revista IntegrAção:
Na prática, como funciona esta metáfora do "grande
espelho"?
Cleodon Silva:
Um exemplo seria o evento Cultura no Feirão: 12 Horas
de Alegria, que foi uma expressão coletiva de várias
entidades da UPP-254 onde pela primeira vez todos puderam se enxergar
simultaneamente nos seus afazeres. Este evento abriu a possibilidade
de todos se enxergarem ao mesmo tempo numa atividade que simultaneamente
expunha as características individuais de todos e as relações
estabelecidas, num fazer individual e coletivo, independente e interdependentes,
visualizados por todos a todo tempo.
Pense junto
comigo. Nós temos 22 escolas na UPP-254 pelo último
cadastro da Secretaria de Estado da Educação, 8 municipais,
7 estaduais e 7 privadas. Quantos grupos de teatros nós temos
neste universo? Quais as peças em exibição?
Qual o conteúdo passado por estas peças? Quantos jovens
estão envolvidos nesta expressão cultural? O conhecimento
desta realidade e a possibilidade de um contato direto e reto com
um ou com todos os grupos de teatros da UPP-254 nos dá a
possibilidade de diálogo com um setor da juventude dinâmico
agentes na comunidade com um nível de relações
acima da média. Mais ainda, quantos professores acompanham
esta atividade? Quem são e onde estão?
As atividades
culturais, esportivas e de lazer são importantíssimas
para aproximar e aquecer as amizades e promover o conhecimento mútuo
- elas são atividades que "espelham" as pessoas
e as práticas existentes no território. No entanto,
não são suficientes e, espontaneamente, não
criam um espaço comum de sedimentação das informações
e saberes coletivos produzidos pelas relações no território.
Vejamos o exemplo do evento Cultura no Feirão: 12 horas
de alegria, durante a organização do evento foram
solicitados várias competências, informações
e conhecimentos sobre a região. Todas as atividades foram
distribuídas entre os participantes. Hoje se fôssemos
realizar o mesmo evento ou algo semelhante não teria registros
dos caminhos utilizados e dos conhecimentos e informações
requeridas para a realização do mesmo. De lá
para cá várias pessoas saíram da região,
entidades mudaram suas diretorias enfim teríamos que realizar
o mesmo esforço.
Não existe
um esforço coletivo organizado para sedimentar as informações
e experiências coletivas para que sejam apropriadas a qualquer
momento de forma universal. Este "esforço coletivo"
não institucionalizado é o sonho que pretendemos "sonhar
com todos".
Eu considero
essencial a construção deste "espelho".
A minha busca é procurar o que estou chamando de 'elementos
espelhantes' onde todos possam estar enxergando todos a todo o momento.
Revista IntegrAção:
Quais as condições estratégicas que propiciaram
o início da experiência piloto da UPP 254?
Cleodon Silva: Algumas condições foram necessárias
para dar início a experiência piloto (ver: htp://www.lidas.org.br/upp/index.html).
A condição mais importante foi encontrar uma entidade
comprometida com a transformação social que reunisse
algumas condições bastante singulares, entre elas
a confiança e a ousadia em levantar uma bandeira audaciosa.
A Casa dos Meninos (ver: http://www.lidas.org.br/cm)
foi a entidade que pela sua destemida busca de romper com as práticas
sociais isoladas das entidades sociais, escolas e empresas encontrou
nas nossas formulações iniciais a possibilidade de
juntos construirmos um caminho onde a soma dos nossos esforços
produzisse um resultado bem maior que a simples somatória
das partes.
Para que isto fosse possível foram estabelecidos alguns princípios
que norteariam nossa prática a partir do primeiro passo:
nossas atividades são independentes de todos os partidos,
igrejas ou qualquer organização corporativa; assumimos
o compromisso de criar uma base comum de informações
e saberes e estabelecer relações entre todos os sujeitos
sociais da UPP-254 sem nenhuma restrição de classe
social, de credos religiosos, de filiação partidária,
de gênero, de cor ou de opção sexual; e, também,
assumimos o compromisso de universalizar a base comum de informações
e saberes, construída coletivamente.
Outras condições
favoreceram a iniciativa, entre elas o fato da diretoria da entidade
ser constituída majoritariamente de mulheres, donas de casa,
sem pretensões explícitas de carreirismo político
ou de constituição de trampolim para ascensão
social, e também a inexistência de currais eleitorais
de políticos ou de partidos políticos com forte atuação
na entidade.
Revista IntegrAção:
A implementação da UPP contou com a participação
estratégica da Casa do Meninos, uma organização
não-governamental. Mas será que não existem
outros atores que poderiam tornar-se parceiros, como, por exemplo,
uma entidade pública ou uma fundação empresarial?
Cleodon Silva:
Devo salientar que este caminho ninguém faz sozinho - ele
só pode ser feito por um coletivo. Acredito que podem ser
vários os caminhos para iniciar um processo semelhante. Algum
esforço inicial tem que ser feito. O mais importante não
é o fazer e sim o como fazer. Veja a ironia do nosso começo.
Quando apareceu a possibilidade de um financiamento por parte da
Fundação Vitae aqueceu os ânimos dos participantes.
Qual foi nossa postura diante desta expectativa? Iniciar o projeto
mesmo com a possibilidade de não ser contemplado com o financiamento.
Dois anos depois nosso projeto está em pé! Temos uma
rede de computadores constituindo uma intranet na Casa dos Meninos,
desenvolvemos uma ferramenta que, utilizando a internet, coloca
todos os sujeitos sociais em reunião permanente na UPP. Enfim,
às vezes tenho vontade de agradecer o não financiamento
da Fundação Vitae naquele momento. Não é
nenhuma questão de soberba ou preconceito, pois não
conseguimos isto sozinhos, tivemos o apoio das empresas Dixtal,
Proceda, Bayer, Bochs e Lilly que de diversas formas nos apoiaram
neste processo. No entanto, o mais importante é a produção
do espaço para se pensar JUNTO. Criando uma BASE COMUM DE
CONHECIMENTO CIDADÃO. Eu acredito que é possível
tanto uma entidade, um governo ou uma empresa iniciar este processo,
mas ele só crescerá se for apropriado pôr todos.
Qualquer tentativa de controle é morte certa neste processo.
Revista IntegrAção:
A inovação deste projeto é sem dúvida
a apropriação deste espaço territorial, UPP.
Por que vocês escolheram atuar com informática e será
que não poderiam ter desenvolvido esta atividade com outros
grupos sociais?
Cleodon Silva:
Acho que pode ser desenvolvido por qualquer grupo social que se
aproprie destas concepções e metodologias. No entanto,
neste momento histórico privilegiamos os jovens entre 15
e 21 anos. Estes jovens, majoritariamente localizados na periferia
da cidade, filhos legítimos dos construtores desta metrópole,
estão ávidos pelos seus espaços, ávidos
por sair da exclusão a que foram submetidos e ávidos
por dominar novas tecnologias. Nos próximos 10 anos a maioria
adulta da população será formada por estes
jovens de hoje. No entanto, apesar do nosso foco não negamos
a iniciativa de outros grupos sociais.
Revista IntegrAção:
Por último você considera esta apropriação
da UPP viável a outras UPPs? Em quais regiões de São
Paulo este tipo de projeto seria mais urgente?
Cleodon Silva:
Acho perfeitamente viável. Este processo já tem
início na Capela do Socorro por iniciativa do governo local
e, na zona norte, nós estamos discutindo com a Fundação
Gol de Letras a possibilidade de iniciarmos este processo.
Revista IntegrAção:
Você está aberto a novos parceiros em outras UPPs para
iniciar um projeto como este?
Cleodon Silva:
Não falo somente por mim neste momento, mas por toda equipe
do Instituto Lidas, que está aberta a novos parceiros.
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