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A Contribuição do Terceiro Setor na
Qualidade de Vida em Favelas

Analúcia Faggion Alonso*

APRESENTAÇÃO

Este trabalho é uma comparação de indicadores de Qualidade de Vida em duas favelas na região sul da cidade de São Paulo, especificamente, a favela Monte Azul e a favela Jardim Fim de Semana.

Estas favelas constituíram-se em resposta à necessidade de moradia dos trabalhadores no período de crescimento industrial de São Paulo mas, com o desenvolvimento, configuram-se em realidades diferentes. Uma das principais diferenças pode estar no fato de existir ou não uma organização formal consolidada.

Ao analisar a Qualidade de Vida dos seus moradores pode-se identificar os resultados objetivos que as comunidades desenvolveram e explicitar as diferenças entre as duas favelas.

A opção pela pesquisa empírica se justifica por não existirem dados suficientes disponíveis nos institutos e órgãos qualificados de pesquisa para as localidades e, além disso, o histórico das duas favelas que são objeto de estudo e a caracterização de suas comunidades, vêm isolar as diferenças que não podem ser controladas somente com os indicadores estruturais.
Nas últimas décadas, têm se desenvolvido diversos modelos de organizações comunitárias, inclusive com investimentos de recursos financeiros e humanos unicamente para disseminação desses modelos, com amplos debates relativos a suas limitações e méritos. Do ponto de vista acadêmico, há atualmente, uma discussão sobre qual seria o modelo ideal de organização comunitária, tendo em vista seus objetivos sociais mais amplos, tais como os descritos acima, e seus objetivos mais específicos, no contexto e na finalidade para os quais foi criada cada associação.

Na favela Monte Azul existe a Associação Comunitária Monte Azul - ACOMA - que é uma organização reconhecida e premiada pela sociedade civil pelo sucesso que tem conseguido no suporte ao desenvolvimento saudável da criança e do adolescente. Essa entidade possui uma forma de gestão organizacional peculiar cuja estrutura é formada por círculos de decisões, de forma que as diretrizes sejam estabelecidas por consenso, tanto para as áreas específicas de atuação como para a organização como um todo.
Com o intuito de analisar os resultados da Associação Comunitária Monte Azul, MEREGE1 desenvolveu uma pesquisa para estudar os indicadores de qualidade de vida na favela Monte Azul. Este trabalho busca apurar os mesmos indicadores em uma favela do mesmo bairro (distrito), mas que não desenvolveu associação comunitária consolidada apontando de alguma forma a importância das associações comunitárias para a qualidade de vida dos moradores.

A proposta de estudar comparativamente as duas comunidades de favelas que conjugam o mesmo período de formação e pertencem ao mesmo distrito busca assegurar que, em princípio, não existem diferenças nas condições encontradas para o desenvolvimento de ambas. Assim, a existência ou não de uma associação comunitária pode ser um fator de influência para as possíveis diferenças na qualidade de vida das comunidades.
Tendo como objeto de estudo apenas dois casos, os resultados apurados neste trabalho não permitem generalizações, mas comparação pode ajudar a compreender como o associativismo pode resultar em melhoria na qualidade de vida e como a metodologia aqui empregada pode ser útil em outros estudos.

1 AS ASSOCIAÇÕES COMUNITÁRIAS


Os trabalhos das associações comunitárias visam a melhoria da qualidade de vida da população beneficiária de suas ações. Todavia estas experiências com associações comunitárias não estão sistematizadas e, portanto, não são conhecidos os resultados alcançados na melhoria da qualidade de vida.
As associações comunitárias trabalham, essencialmente, com projetos sociais e a avaliação é uma forma de expressar os resultados alcançados numa comunidade. A avaliação de projetos sociais é um conjunto de atividades no qual se coletam, analisam e interpretam dados e informações para fazer um julgamento objetivo de um projeto concluído ou de uma fase do projeto.

Um projeto social caracteriza-se pela interação de interesses comuns na solução de problemas percebidos por um conjunto de pessoas, quer num espaço geográfico delimitado na área urbana, vila, rua etc., quer num espaço social formalizado em sindicatos, cooperativas, clubes, associações etc. (...) Comunidade, assim, é entendida como o espaço em que contatos sociais desenvolvem-se através de relações de vizinhança, parentesco e de relações de trabalho.(BUBER, 1982)

A avaliação de um projeto comunitário, como proposto neste trabalho, deve ser vista como um processo educativo no qual o aprendizado é tanto daqueles que buscam uma solução para seus problemas como daqueles que os apoiam. É preciso compartilhar o saber dos que vivem o problema e são capazes de verificar com maior precisão as suas necessidades com os que detêm o saber técnico, com visão ampla da realidade como destacaram grandes educadores, entre eles Paulo Freire.

A proposta da avaliação de duas comunidades e não de dois projetos sociais desencadeou esta pesquisa de avaliação da condição social, econômica e política segundo os interesses comuns de melhoria da qualidade de vida das comunidades.

Uma boa ferramenta para este processo de avaliação é o uso de indicadores que são referencias para retratar qualidade de vida de uma determinada comunidade. Quando apuramos um indicador em uma comunidade obtemos um resultado que classificamos como positivo ou negativo frente a um parâmetro pré-determinado. Por exemplo, se detectamos o índice de analfabetismo em uma comunidade onde atua uma associação comunitária cujo objetivo é a melhoria na educação, a expectativa é de que, esse indicador, se encontre num índice melhor ou igual ao padrão nacional ou regional. Caso encontremos um índice de analfabetismo inferior ao padrão teremos subsídios para questionar o desempenho daquela associação bem como sugerir alterações nas suas ações.

Esse processo envolve questões mais complexas como a definição de qualidade de vida, as discussões sobre quais indicadores seriam os mais adequados para a avaliação, possíveis fontes desses indicadores, além de outras questões acessórias como uma eventual periodicidade nessas avaliações. Tais questões são discutidas e consideradas neste trabalho cujo objetivo é retratar e avaliar a qualidade de vida das comunidades residentes na favela Monte Azul e na favela Jardim Fim de Semana situadas em um mesmo distrito do município de São Paulo.

2 METODOLOGIA

O estudo de MEREGE (2000) que faz um levantamento de indicadores de qualidade de vida na Associação Comunitária Monte Azul - ACOMA teve como base metodológica a experiência de Jacksonville - Flórida, EUA (JCCI). Essa experiência tem mais de 20 anos de trabalho com acompanhamento de indicadores de qualidade de vida na cidade. Adaptando os indicadores às condições do Brasil, a pesquisa fez o retrato da qualidade de vida na favela Monte Azul abordando: educação, saúde, segurança, renda e emprego, meio ambiente e saneamento básico, habitação, lazer e cultura, cidadania e alimentação.

Utilizando essa mesma metodologia analisou-se a favela Jardim Fim de Semana, que no princípio, esteve exposta às mesmas condições sócio, econômica, política, cultural e geográfica da outra estudada por MEREGE mas que não desenvolveu uma associação comunitária consolidada. A favela Jardim Fim de Semana está localizada no mesmo distrito da favela Monte Azul e teve, nos últimos vinte anos, um crescimento acelerado semelhante.
Nessa perspectiva e para analisar o desenvolvimento das favelas e sua caracterização utilizou-se os resultados quantitativos e qualitativos da pesquisa sobre qualidade de vida retratados nas comunidades em questão.

2.1 INDICADORES

Como MEREGE (2000) definiu para o propósito da pesquisa, um indicador é uma medida quantitativa da qualidade de vida de uma comunidade. Tendo consciência de que perfeição na seleção desses indicadores é impossível. Todavia, com o intuito de selecionar os indicadores mais apropriados dentre os disponíveis, utilizou-se as regras do JCCI por apresentar resultados de transformação social comprovada.

Os indicadores devem ser simples, de forma a facilitar o entendimento pela população envolvida, porém não devem ser demasiadamente simplificados. Eles devem responder positivamente às seguintes regras: validade; disponibilidade e periodicidade; estabilidade e integridade; compreensibilidades; suscetibilidade; relevância política e representatividade.

2.2 AS PECULIARIDADES LOCAIS

Em função das singularidades sociais, econômicas, culturais e ambientais de cada comunidade é necessário estabelecer uma metodologia própria para a avaliação da qualidade de vida. Isto exige um trabalho menos reativo e que vá além de simplesmente adaptar qualquer metodologia já consagrada internacionalmente ainda que tenha o mérito de permitir uma comparação relativa das condições de vida entre diferentes regiões do planeta.
As favelas aqui estudadas não dispõem de dados sistematizados suficientes para a análise dos elementos propostos. Para supri-los optou-se pela realização de pesquisa socioeconômica com os moradores das favelas.
A falta de dados sobre um aspecto importante para a qualidade de vida sustentável é, em si, um indicador de que a questão não está recebendo atenção suficiente. É nesse sentido que se optou por desenvolver uma metodologia própria através da seleção de indicadores com base na experiência de Jacksonville, na Florida, EUA.

Os nove elementos propostos por Jacksonville são compostos por um número de indicadores. Quando adaptados para este estudo, foram acrescentados indicadores qualitativos que complementam o retrato da qualidade de vida nas favelas. E, alguns elementos que não encontram grande expressão no país foram substituídos por elementos que traduzem as necessidades da comunidade.

Com o intuito de contextualizar os dados coletados, foi utilizada a base de dados do IBGE relativa ao Censo Demográfico 2000 e 1991 visto que, alguns dados de 2000 não haviam sido disponibilizados até a conclusão do trabalho.
Os indicadores, entretanto, agrupados em nove elementos representativos, podem ser adaptados de acordo com as características de cada comunidade, selecionado-os de forma que melhor expressem sua qualidade de vida e garantindo a especificidade de sua comunidade. Alguns dos indicadores foram sugeridos a fim de garantir a comparação com outros indicadores macros nacionais, regionais ou de outra favela.

Assim, a seguir apresenta-se a lista com os indicadores eleitos para apontar a qualidade de vida nas comunidades em que cada elemento é constituído de um grupo de indicadores.

2.3 COMPOSIÇÃO DOS ELEMENTOS

Perfil demográfico: Refere-se à situação das famílias entrevistadas. É composto pelos indicadores de idade e estado civil dos pais, prática religiosa, número de adultos e crianças na família e estado de origem.
Educação: inclui educação adulta e infantil, especialmente a situação da criança e do adolescente. Esse elemento é composto pelos seguintes indicadores: escolaridade dos pais, o número de crianças que não freqüentam a escola e taxa de analfabetismo.

Emprego e Renda: está relacionado com nível econômico de vida dos residentes. Inclui: renda mensal bruta por domicílio, contemplação pelo beneficio previdenciário INSS, número de pessoas da família que trabalham, condição da ocupação dos pais e bens domiciliares.

Habitação: refere-se aos recursos do domicílio (rede de esgoto, banheiro, luz e água tratada), número de pessoas residentes, condição de ocupação das moradias (própria, cedido ou outra forma) e à quantidade de cômodos.
Segurança Pública: registra a percepção da segurança pessoal e a qualidade da aplicação da lei. Inclui o índice de homicídios, se alguma pessoa da família foi vítima de crime neste ano ou no ano passado, a opinião dos entrevistados sobre o medo de andar à noite na favela ou nos arredores e a satisfação e felicidade de viver na favela.

Cultura e Lazer: envolve os indicadores da freqüência de ida a espaços culturais, a utilização de outros espaços de lazer fora da favela, a participação em cursos de formação cultural e o tempo gasto diariamente para chegar ao trabalho.

Meio Ambiente: Inclui o cuidado com os resíduos e a conscientização da preservação da natureza, incluindo a qualidade de ar, água, plantas, inclusive do ponto de vista estético. São indicadores: a freqüência de entrega do lixo na coleta pública e o cultivo de plantas pelos moradores.

Saúde: refere-se à saúde dos residentes na favela, bem como o acesso a serviço ambulatorial. São indicadores de saúde: a presença de vício na família e problemas relacionados, doenças ocorridas devido à poluição do córrego, AIDS, utilização do dentista e itens da alimentação.

Cidadania: O elemento cidadania envolve filantropia e trabalho voluntariado e acesso aos serviços disponíveis.

2.4 CARACTERIZAÇÃO DAS FAVELAS

As duas favelas selecionadas pertencem à mesma região3 que, em princípio, as expõe de forma semelhante às condições histórico-culturais de desenvolvimento regional. Outra semelhança está na época de formação das duas favelas - datam do final da década de 70 e início de 80 - tendo em média vinte anos de crescimento.

Como medida de controle optou-se por registrar, além dos dados referentes às duas favelas, também as características da região a que pertencem.

Para tanto, os dados do Censo IBGE foram utilizados selecionando-se uma medida intermediária entre os distritos4 e os setores censitários5. Esse cuidado procura aproximar o retrato regional e expressar melhor suas condições dada a diversidade e o contraste da cidade de São Paulo. A medida regional intermediária é chamada Unidade de Planejamento Participativo - UPP6.

As Unidades de Planejamento Participativo surgiram da necessidade de disponibilizar e democratizar dados sobre as diversas comunidades em seus bairros, já que os distritos são extensos demais para representarem as condições de uma comunidade e sua região. Em 1997 com a Pesquisa Origem e Destino - OD - do Metrô de São Paulo através da consideração do uso do solo e outros estudos de deslocamentos da população, estabeleceu-se uma divisão para a Região Metropolitana de São Paulo que subdividiu os Distritos da capital respeitando os setores censitários. São Paulo ficou com 270 zonas de Pesquisa Origem e Destino - Zona OD. Essa divisão estabelecida na Pesquisa OD/1997 vem ao encontro das necessidades que se situam nas escalas intermediárias entre os setores censitários e os distritos correspondendo, muitas vezes, ao bairro.

A proposta da UPP é levar a informação à comunidade e dinamizar a participação para que possa intervir no seu desenvolvimento. Ressalta-se ainda que os dados da pesquisa OD se encontram praticamente no meio do período censitário e nos fornecem indicadores demográficos e econômicos que dão o embasamento necessário para comparações aceitáveis com os dados do censo IBGE 2000 e 1991.

A FAVELA MONTE AZUL7

A favela Monte Azul está situada entre a rua Vitalina Grassman, avenida Tomás de Souza e rua Joaquim Dias, no bairro São Luiz, zona sul da cidade de São Paulo. Segundo FIGUEIREDO (1995) esta favela está localizada em terreno municipal e existe desde 1965. Dados do IBGE (1991) totalizam a população em 1.676 moradores, distribuídos por 383 domicílios8. Estima-se hoje uma população de 3.500 moradores9. Não há mais espaço para construção de moradias térreas na favela Monte Azul. Por conta disso, o único crescimento possível é o vertical.

O modelo da Associação Comunitária Monte Azul e da Comissão de Moradores está descrito no trabalho de MEREGE (2000) mencionado anteriormente. Encontram-se os detalhamentos específicos dessa comunidade com o modelo de atuação da Associação Comunitária Monte Azul - ACOMA e a Comissão de Moradores da favela Monte Azul

A FAVELA JARDIM FIM DE SEMANA10

A favela Jardim Fim de Semana, ou Fim de Semana como é chamada por seus moradores, está localizada no distrito Jardim São Luiz, zona sul da cidade de São Paulo e tem como limites as ruas Yoshimara Minamoto, Luiz Canuto do Nascimento, Antônio Ramos Rosa e a Av. Fim de Semana. Segundo os moradores do distrito, a favela tem esse nome porque antes da ocupação, o local recebia empresários e industriais com seus familiares em sítios e chácaras nos "finais de semana". A região que atualmente é próxima ao centro empresarial foi ocupada preservando-se a referência ao lazer e ao passeio.

Assim como a favela Monte Azul, a formação da favela Jardim Fim de Semana também teve início na década de 70 e crescimento acelerado nos anos 80, impulsionada pelo desenvolvimento industrial da cidade. Atualmente, a favela tem 2.167 domicílios, dado que foi resultado de duas pesquisas na favela: um realizado pelos moradores da favela, e outro realizado pelo Posto de Saúde do Parque Santo Antônio em propósito do programa Médico de Família.

Nos arredores da favela Jardim Fim de Semana há outras três formações: a favela do Maracanã, do Capelinha e do Campo de Fora. Neste trabalho, restringiu-se ao estudo na favela Jardim Fim de Semana em seus limites.

Até 2000, os moradores não contavam com a existência de instituição ou espaço de educação e lazer dentro da favela. Entretanto, algumas instituições atendiam esses moradores em locais fora da favela. Dentre essas instituições destacam-se:
1. O Centro Comunitário Promorar11.
2. A Casa da Cultura
3. A Casa dos Meninos
4. A Associação Abrigo Nossa Senhora Rainha da Paz

2.5 Pesquisa de Campo

Para a realização da pesquisa foram desenvolvidos questionários12, que procuram identificar dados socioeconômicos e culturais dos moradores da favela Monte Azul e Jardim Fim de Semana.

Na favela Monte Azul, o plano amostral levou em consideração a localização geográfica dos moradores no total de 64 famílias entrevistadas e abrangência de 274 pessoas, 7,8% da sua população estimada. Segundo a ACOMA, são 3.500 moradores da favela Monte Azul.

Na amostra da favela Jardim Fim de Semana houve preocupação em garantir a distribuição geográfica como realizado na Monte Azul. Diante do mapa selecionamos seis áreas que envolvem a favela. Foram entrevistadas 121 famílias, abrangendo 546 pessoas. Esse montante representa o mesmo percentual da amostra da favela Monte Azul. Segundo dados estimados pela comunidade são 7.000 moradores13 na favela Fim de Semana.

Após as discussões e a seleção dos indicadores, a Comissão de Moradores da favela Monte Azul se organizou para receber os pesquisadores voluntários aos domingos pela manhã. Atenciosos, os moradores acompanharam os pesquisadores pelas vielas e becos da favela cumprindo papel essencial de orientação.

Com os resultados dos indicadores de qualidade de vida foi realizada uma palestra para toda a comunidade da favela Monte Azul na ACOMA. Naquela oportunidade, foi possível dividir expectativas e abrir espaço para propor ações de continuidade na coleta e análise de indicadores.

A pesquisa da favela Jardim Fim de Semana contou com o apoio de jovens da Casa dos Meninos e do grupo de jovens da Associação do Abrigo Nossa Senhora Rainha da Paz . Esses jovens já realizavam entrega de panfletos nas regiões próximas à favela Fim de Semana e foram unânimes ao aceitarem o convite de participar da pesquisa de campo no Jardim Fim de Semana.

Ao todo foram 35 jovens de 15 anos ou mais que participaram do treinamento para pesquisa de campo na Associação do Abrigo Nossa Senhora Rainha da Paz14, dia 7 de novembro de 2001. Foram tratados assuntos sobre os objetivos da pesquisa: indicadores e qualidade de vida; quais as características de uma pesquisa socioeconômica, postura de um pesquisador e responsabilidade.

Junto ao questionário a ser aplicado os jovens receberam as orientações gerais para a realização da pesquisa de campo que discorria sobre as principais recomendações e procedimentos no preenchimento, aplicação e tratamento do questionário.

No segundo dia de treinamento, o questionário foi minuciosamente discutido de forma a sanar qualquer dúvida a respeito dos conceitos ou da forma como as questões estavam organizadas no questionário.
Feito isso, houve uma simulação da aplicação do questionário e a seguir cada jovem passou a entrevistar e a ser entrevistado por um colega simulando também a aplicação.


A pesquisa de campo na favela Fim de Semana foi realizada em dois dias distintos. Cada dupla de jovens, orientada por moradores da favela puderam percorrer 121 moradias recolhendo, além das informações do questionário, as experiências de cada morador e suas dificuldades.

3 PRINCIPAIS RESULTADOS

Na oportunidade da apresentação dos resultados da favela Monte Azul aos seus moradores, voluntários e profissionais da ACOMA, fato interessante ocorreu em relação ao elemento Renda e Emprego. Um jovem de 15 anos levantou a mão e discordou do resultado sobre a renda. Justificou que ele não tinha aquela renda e se aquilo era verdade na favela ele gostaria de confirmar com uma pesquisa censitária. A atitude pró-ativa do jovem, que além de emitir sua opinião propôs uma ação pela qual se interessava em realizar, demonstra o valor que ele depositava nos indicadores.

A análise dos resultados aferidos na pesquisa de campo é apresentada resgatando-os os dados da favela Monte Azul apresentado por MEREGE (2000) e comparando-os com os dados correspondentes à favela Jardim Fim de Semana.

Cada um dos nove elementos aferido é analisado separadamente e os indicadores comparados, nas duas favelas.

Antes da análise dos indicadores do primeiro elemento, o perfil demográfico é necessário retomar dados relativos ao município de São Paulo e ao distrito do Jardim São Luiz que engloba as duas favelas do estudo. A concentração de pessoas residentes em favelas é superior no distrito Jardim São Luiz em relação à cidade de São Paulo (tabela abaixo).

Tabela 1. População Residente em Favelas

Distritos População Residente em favelas(1) População Total %
Município de São Paulo 748.455 9.839.436 7,6
Jardim São Luiz 46.905 223.252 21,0

Fonte: IBGE - Contagem populacional/1996

Na favela Monte Azul a estimativa é de 3.500 pessoas residentes e na Jardim Fim de Semana é de 7.000, representando respectivamente 7,4% e 14,9% da população residente em favelas no Distrito São Luiz.

Em 1997, a pesquisa Origem e Destino do Metrô apontou que no território da UPP 254 e o número de domicílios é 17.093 totalizando uma população de 68.976 habitantes. Dessa população 23% residem nas 32 favelas existentes na UPP 254.

Nas favelas as mães têm em média de 25 a 34 anos e os pais 30 a 39 anos. Dentre as condições de estado civil, na favela Monte Azul, a opção outros15 é 41% e supera a de casados de 29%, na favela Jardim Fim de Semana os percentuais são diferentes casados 39% e outros 24%.

Aproximadamente 60% do restante das famílias pesquisadas nas duas favelas têm como estado natal a Bahia, Pernambuco e Minas Gerais. Esse movimento concentrado é reflexo da proximidade entre as duas favelas - que pertencem ao mesmo bairro - e das famílias que em sua maioria têm algum grau de parentesco próximo.

O indicador da prática religiosa mostra que nas favelas é predominante a religião católica, assim como no Brasil e na Região Sudeste. Na Monte Azul o percentual é de 87% e na Fim de Semana é 58%.

A religião evangélica teve aumento significativo de praticantes, na década de 90, principalmente nos bairros mais pobres. Enquanto 10% da população na Região Sudeste e no Brasil são evangélicos em relação aos católicos, na Monte Azul a percentagem é 22% e na Fim de Semana 50%. 121 milhões de católicos para 12 milhões de evangélicos no Brasil; 49 milhões para 5 milhões na Região Sudeste; 40 católicos para 9 evangélicos na Monte Azul e 57 para 28 na Fim de Semana.

Na favela Monte Azul o índice (mais ou menos 10%) de católicos para evangélicos corresponde aos índices na Região Sudeste e no Brasil. Já na favela Fim de Semana esse índice é 50%.

Dentre os resultados sobre a identificação dos elementos de qualidade de vida, pode-se observar que a educação dos pais nas duas favelas têm condições semelhantes: a maioria tem escolaridade baixa. Entretanto, as mães em geral conquistam o ensino médio mais cedo (em média com 20 anos) que os pais (em média 30 anos). Além disso, algumas diferenças entre as duas favelas devem ser destacadas: I) a escolaridade das mães na Fim de Semana é maior que as dos pais e, na Monte Azul a referência se inverte; II) um número maior de mães da favela Fim de Semana completa o ensino fundamental e, é maior o número de pais na Monte Azul que o conquistam; III) no caso do ensino superior foram encontrados representantes na Monte Azul, mas nenhum na Fim de Semana; IV) os dados sobre analfabetismo apontam que mais famílias são compostas por analfabetos na Monte Azul, geralmente o idoso, acima de 65 anos, entretanto o índice de analfabetismo é maior na Fim de Semana e estão representados nas faixas etárias de 15 a 25 anos.

Verificou-se que apesar da atuação da ACOMA na assistência à criança e incentivo à escolarização, ainda existem crianças fora da escola na Monte Azul, e o indicador correspondente na favela Jardim Fim de Semana é menor, 8% e 2% respectivamente. Um dos fatores que podem ilustrar tais índices é o fato de existirem próximas à favela Fim de Semana mais escolas e equipamentos públicos.

Na questão da renda e emprego a Monte Azul tem maior índice de pessoas com renda superior a quatro salários mínimos. Também foi possível averiguar que o número de beneficiários da previdência é superior na Monte Azul que pode ser explicado pela presença de maior número de idosos. A condição de ocupação mostra que a maioria das famílias possuem construção própria nas favelas.

Observa-se a existência de um nível razoável de conforto dentro das casas nas duas favelas: cerca de 80% delas possuem bens domésticos básicos para um domicílio na cidade de São Paulo (geladeira, fogão, televisão e rádio). O telefone é um item importante para as questões relacionadas às comunicações ou novas tecnologias da informação. Ele é o acesso às informações. Na Monte Azul mais da metade das famílias possuem telefone e esse índice é menor na favela Fim de Semana.

No elemento habitação a ação dos mutirões foi responsável pela melhoria das condições urbanas das favelas, com construção de casas de alvenaria e na Monte Azul também a construção de muros de arrimo. Dentre os entrevistados na favela Monte Azul 98% têm sua moradia própria. Na favela Fim de Semana o índice é menor, 79%, e um número maior de moradores se sujeitam a exploração imobiliária, inclusive pagando aluguéis de barracos. É comum encontrar cartazes de aluga-se ou vende-se afixados nos barracos localizados nas favelas.

Ainda, a permanência dos moradores na favela é de longa data. Informalmente, averiguou-se que em média o tempo que os moradores têm na favela é de 15 anos, destacando-se que tanto na Monte Azul como na Jardim Fim de Semana existem muitos dos seus fundadores.

No elemento que analisa a segurança pública observou-se que o número de homicídios na Monte Azul é significativamente menor que na favela Fim de Semana, mas as famílias que possuem alguma pessoa que já tenha sido vítima de crime, o número se inverte. Isso pode ser explicado pelo fato de a Monte Azul possuir área e população menor que a favela Fim de Semana. Cabe ressaltar que o clima de violência em São Paulo, especialmente no distrito do Jardim São Luiz onde estão as favelas teve em 1999 um índice de 88,33 homicídios dolosos por 100.000 habitantes16.

Ao andar na favela Monte Azul tem-se a sensação de um ambiente tranqüilo, diferente da favela Fim de Semana em cujos becos e vielas específicas não é permitida a entrada de estranhos.

Outro destaque é a porcentagem de famílias que sentem medo ao andarem sozinhas à noite pela favela e seus arredores. Na Monte Azul esse percentual é muito menor que na Fim de Semana e, se as famílias não sentem medo, estão mais satisfeitas e felizes, reflexo medido no indicador sobre felicidade: 94% dos moradores da Monte Azul se declaram felizes.

No tocante à cultura e lazer pode-se observar que os moradores da favela Monte Azul, mais do que na Fim de Semana, freqüentam outros espaços de lazer fora dos limites da favela. Esse fato indica que a inserção social é maior na Monte Azul. Apesar dos espaços oferecidos pela ACOMA, 42% dos moradores nunca freqüentaram esses espaços. O desinteresse da comunidade aliado à falta de informações por meio da ACOMA podem ser as razões para a não adesão de toda a população.

O tempo gasto no deslocamento para ir ao trabalho é um indicador de qualidade de vida, principalmente em se tratando da cidade de São Paulo. Na Monte Azul a maioria dos trabalhadores gasta até 30 minutos apenas no seu deslocamento até o trabalho. Na Fim de Semana o tempo é maior, sem entretanto passar de uma hora e, consequentemente, o tempo destinado ao lazer dos moradores é menor. Cabe destacar que na cidade de São Paulo o tempo de deslocamento chega a duas horas ou mais e a condição de menor tempo gasto para deslocamento nas favelas deve-se à boa localização das duas favelas, servidas por um terminal de ônibus urbano, uma estação de trem além de ser próxima ao Centro Empresarial, à marginal Pinheiros17 e a grandes redes de hipermercados.

O meio ambiente tem como principais problemas nas favelas a falta de saneamento básico e de canalização dos córregos poluídos que atravessam ambas as favelas. A canalização do esgoto doméstico existente nas favelas consiste na coleta dos detritos e no despejo diretamente no córrego, sem qualquer espécie de tratamento, causando doenças, mau cheiro e a proliferação de ratos, baratas, etc. Também foi aferido a freqüência com que as pessoas levam o lixo doméstico à coleta municipal. Na Monte Azul essa atitude está presente em 96% da população, índice maior que na Fim de Semana.

Outro indicador de qualidade de vida em relação ao meio ambiente é o cultivo de plantas nas moradias ou nas áreas das favelas. Na Monte Azul mais famílias cultivam plantas, incluindo vasos ornamentais em suas moradias do que os moradores da Fim de Semana.

No elemento saúde, o indicador sobre os vícios presentes na família tem relevância a porcentagem verificada no número de drogados. O fato de os moradores não declararem o uso de drogas, por se sentirem constrangidos, é um forte indicador de que o problema social não está sendo trabalhado. Apesar disso, na Monte Azul o ambulatório localizado na favela, confirma o baixo índice de dependentes químicos. Constatou-se também que o fumo e o álcool estão presentes em grande parte das famílias entrevistadas na Monte Azul, com índices maiores do que a Fim de Semana. O maior número de moradores da Fim de Semana que declarou não possuir na família pessoa que tenha vícios pode significar, recuperando aqui a questão religiosa, que com um percentual maior de evangélicos, proibidos de ter quaisquer vícios, as famílias passam a se comportar como assim acreditam.

É preciso dizer que o córrego poluído que corre a céu aberto pelo meio das favelas foi apontado nas entrevistas como foco de doenças principalmente respiratórias. Isso é confirmado pelo alto número de atendimentos ambulatoriais na favela Monte Azul.

Outro indicador que trata da alimentação demonstra que os moradores da Monte Azul têm melhores percentuais de consumo de alimentos e menos doenças.

No elemento cidadania o número de pessoas que já realizaram algum trabalho voluntário é significativamente maior na Monte Azul que na Fim de Semana. Também se destaca a Comissão de Moradores atuante em parceria com a ACOMA e responsável pela reconstrução dos elos sociais dentro da comunidade e o envolvimento significativo dos moradores no trabalho comunitário, mostrando a apropriação coletiva do desenvolvimento comunitário exemplificados pela construção dos muros de arrimo, reforma dos barracos de madeira para alvenaria e o trabalho dos voluntários na própria ACOMA.

Nos indicadores apurados na pesquisa pode-se averiguar que na favela Monte Azul a maioria da população leva o lixo à coleta municipal preservando o meio ambiente, mas principalmente, percebendo seu dever de cidadão.

4 CONCLUSÃO

Avaliar a qualidade de vida é um trabalho complexo e delicado. Quando são catalogados os indicadores e multiplicados em várias instâncias é possível comparar e invariavelmente construir ranking. Esse último, muitas vezes não suporta somente o aspecto positivo mas incita disputa e remete a erros de avaliação. Não existe o melhor na questão social mas o que se traduz em condições mais satisfatórias para o indivíduo e para a comunidade a que pertence.

Nos métodos atuais, os indicadores ainda são a forma mais eficiente de retratar uma população de modo a medir o seu crescimento, a sua transformação e os demais movimentos socioeconômicos e histórico-culturais.
Para caracterizar a associação comunitária presente na favela Monte Azul foi necessário encontrar características que não fossem as de caráter religioso, pedagógico ou de outro mecanismo de atuação, pois eles podem significar sucesso em uma comunidade, mas não ser eficiente em outra. A especificidade de cada localidade deve ser respeitada evitando-se a reprodução de modelos.

É preciso destacar que os resultados aqui apresentados fazem um retrato sobre as favelas, a inserção frente às condições oferecidas por seu distrito e cidade. Mas esses indicadores só cumprem sua função se forem apropriados pela própria comunidade.

Um pesquisador ao olhar para tais índices sente-se curioso e observador, buscando teorias e conclusões sobre os aspectos analisados. Mas o morador da favela - sujeito da pesquisa - se surpreende, se emociona ao olhar no espelho e se ver dentro de sua comunidade. A informação como fonte de poder só é consolidada quando a sociedade se apropria dessas informações, "é preciso colocar um espelho em cima da comunidade e possibilitar que cada componente, se assim desejar, olhe, opine e enxergue-se nesse espelho", como relatou C..

O processo desenvolvido na pesquisa possibilitou o envolvimento dos moradores que voluntariamente acompanharam os pesquisadores de campo e opinaram sobre os resultados obtidos.

Na favela Fim de Semana, os jovens do distrito e da própria favela foram os interessados em realizar a pesquisa de campo. Depois de treinados e da pesquisa realizada, reuniu-se a equipe para conversar sobre as possíveis dúvidas sobre a aplicação do questionário, momento de correção das respostas e, principalmente, sobre a percepção que eles, jovens pesquisadores tinham tido das famílias e da favela. Nesse momento, muitas histórias foram tomando conta da reunião ilustrando a posição e o papel desenvolvido por esses "pesquisadores". A simplicidade de cada rosto e a feição surpreendente ao ver, pela primeira vez, o mapa da favela demonstrou que essas pessoas, carentes de atenção ainda não estavam no mapa, literalmente.

O conjunto de resultados é a melhor expressão da qualidade de vida nas comunidades e prender-se aos detalhes pode impossibilitar tal visão; a análise dos elementos em separado representa a possibilidade de mudanças. Se a cada indicador insatisfatório para a comunidade for possível definir pequenas metas, a comunidade tem condições práticas de passo a passo, transformar sua realidade.

A análise comparativa entre as duas favelas permitiu identificar que a presença de uma associação com as características como os da ACOMA influi positivamente na construção de uma comunidade resultando uma qualidade de vida melhor.

Cabe aqui esclarecer que ao identificar que a qualidade de vida conquistada na favela Monte Azul é melhor que a da favela Fim de Semana, pode-se estar cometendo um erro. Sabendo que a Monte Azul é melhor pode incitar aos interessados a copiar a ACOMA e aplicar o mesmo modelo na favela Fim de Semana com o intuito de alcançar os mesmos índices da Monte Azul. As análises até hoje estudadas mostram que, cada comunidade, deve encontrar o seu modelo, respeitando assim suas especificidades e características sócio- econômicas e culturais próprias.

REFERÊNCIAS


ACOMA (1998) Planejamento Estratégico Associação Monte Azul - 1998/2001. Associação Comunitária Monte Azul. São Paulo. Acesso: 10/07/2000, na WWW: http://www.monteazul.org.br/index.htm.

FIGUEIREDO, Regina M. M. D. (1999) Saúde sexual e reprodutiva de mulheres de baixa renda: favela Monte Azul - um estudo de caso. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, São Paulo.

INSTITUTO LIDAS (2000) O que são as UPP? Acesso: 10/07/2000, na WWW: http://www.lidas.org.br/upp/teorico/upp.htm.

JACKSONVILLE: Jacksonville Community Council (1999) Quality of life in Jacksonville : indicators for progress / prepared for the Jacksonville Chamber of Commerce and the City of Jacksonville by the Jacksonville Community Council Inc. Flórida, EUA.

MEREGE, Luiz Carlos (2000) Qualidade de Vida em Favela - Os Resultados da Associação Comunitária Monte Azul. Núcleo de Políticas Públicas FGV/Escola de Administração de Empresas de São Paulo. São Paulo.

SMOCK, Kristina (1999) Strategies for urban change: A Comparative Study of Contemporary Models of Neighborhood-Based Community Organizing. Northwersten University. Department of Sociology. September.

ANEXO 1 MAPA DA UPP 254 COM A LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA DOS SETORES CENSITÁRIOS DA FAVELA MONTE AZUL E DA FAVELA JARDIM FIM DE SEMANA.

Fonte: Formatado por Cleodon Silva, Instituto Lidas.18.

ANEXO 2 MAPA DA FAVELA MONTE AZUL COM SUA LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA E SUAS VIELAS19.

Fonte: Formatado especialmente para o trabalho por Cleodon Silva, Instituto Lidas.

ANEXO 3 MAPA DA FAVELA FIM DE SEMANA COM SUA LOCALIZAÇÃO GEOGRÁFICA20.

Fonte: Formatado especialmente para o trabalho por Cleodon Silva, Instituto Lidas.

1MEREGE, Luiz C (2000) Qualidade de Vida em Favela - Os Resultados da Associação Comunitária Monte Azul. Núcleo de Políticas Públicas EAESP Fundação Getulio Vargas. São Paulo.
2Uma associação é uma pessoa jurídica criada a partir da união de idéias e esforços de pessoas em torno de um propósito que não tenha finalidade lucrativa. Ela pode ser de cunho associativo, como clubes recreativos de acesso restrito aos sócios, ou de cunho social dedicada ao benefício público como é o caso das associações comunitárias aqui estudadas. (SZAZI, 2000 Terceiro Setor: regulação no Brasil São Paulo, Ed. Peirópolis. p.28)
3No anexo 1 o mapa da UPP 254 com a localização dos setores censitários correspondentes à favela Monte Azul e Fim de Semana.
4Com a Nova Territorialização a cidade de São Paulo constituiu 96 Distritos Administrativos. Envolvendo muitos setores censitários os distritos são considerados, para algumas necessidades, como grandes demais não expressando a situação dos bairros, por exemplo.
5Setores Censitários correspondem a menor medida de aferição de dados adotada pelo IBGE
6Para saber sobre as UPPs ver: O que é uma UPP? In www.lidas.org.br.

7A descrição da favela Monte Azul já foi apresentada em MEREGE, Luiz C (2000). No anexo 2 o mapa da favela Monte Azul elaborado por Cleodon Silva.
8A exata atualização destes dados só será possível com a conclusão do Censo 2000.
9Planejamento Estratégico Associação Monte Azul - 1998/2001.
10No anexo 3 o mapa da favela Fim de Semana elaborado por Cleodon Silva.

11PROMORAR é um conjunto habitacional localizado próximo à favela Jardim Fim de Semana.
12O questionário aplicado na favela Monte Azul sofreu pequenos ajustes para ser aplicado na favela Fim de Semana.

13Segundo estimativas do Posto de Saúde do Parque Santo Antônio o conjunto formado por quatro favelas, Jardim Fim de Semana, Capelinha, Maracana e Campo de Fora, soma 15.000 pessoas.
14Essas associações pertencem ao distrito São Luiz e atuam direta ou indiretamente na favela Jardim Fim de Semana. Suas atividades foram descritas no item 4.2 deste trabalho.

15A opção outros, para pesquisa de campo realizada neste trabalho, é definida pela soma das situações de união consensual e viúvo.
16Dados da Resolução 202/93, fornecidos pelas Seccionais de Polícia. (dados preliminares, sujeitos a retificação)
17Uma das principais vias de acesso ao centro expandido da cidade.

18Este mapa foi apresentado em MEREGE, Luiz C (2000).
19As vielas da favela Monte Azul foram redesenhadas a partir do mapa produzido pela Prefeitura Municipal de São Paulo quando do projeto de urbanização. Este foi a única referência encontrada sobre o desenho das vielas da favela. Resta à comunidade atualizá-las.
20O trabalho de redesenho das vielas da favela Jardim Fim de Semana não está concluído. O mapa produzido pela Prefeitura Municipal quando do projeto de urbanização já foi digitalizado. O próximo passo é disponibilizá-lo para a comunidade atualizar suas vielas e conclui-lo.

* Analúcia Faggion Alonso é formada em Administração Pública pela UNESP, mestre em Políticas Públicas pela FGV/EAESP e pesquisadora do CETS FGV/EAESP. Email: analonso@gvmail.br

 

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