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ONU
tem dificuldades e prevê riscos para 100 mil crianças
A ONU - Organização
das Nações Unidas e agências humanitárias
estão tendo grandes dificuldades para ajudar as vítimas
do conflito entre EUA e Afeganistão. Desde o início
do bombardeio norte-americano contra o Afeganistão, em 7
de outubro, além do drama da guerra, os jornais descrevem
o pesadelo da rede da solidariedade.
Uma notícia que
chocou a opinião pública foi a estimativa do Unicef
- Fundo das Nações Unidas para a Infância de
que sem a ajuda dos grupos humanitários e sem dinheiro suficiente
para realizar o trabalho básico, 100 mil crianças
podem morrer no inverno do Afeganistão. O porta-voz do fundo,
Eric Laroche, disse que essas crianças morrerão se
não receberem alimentos suficientes em até seis semanas
- a chegada de dezembro.
Mas para realizar o trabalho
urgente básico, o Unicef precisa de US$ 36 milhões.
Até agora, só recebeu cerca de US$ 18 milhões
de poucos países. Para piorar a situação, o
grupo Taleban ocupou dois depósitos da ONU, com trigo, instalados
no Afeganistão, o que vai prejudicar ainda mais o envio mensal
de 52 mil toneladas de comida aos necessitados.
Sem acordo - A
suspensão dos bombardeios para facilitar a ajuda humanitária
foi cogitada pela ONU e um grupo de seis ONG's (Oxfam, Islamic Relief,
Christian Aid, Cafod, Tear Fund e Action Aid) que auxiliam refugiados
afegãos. Pediu-se às forças anglo-britânicas
que suspendessem seus ataques para que os comboios de ajuda chegassem
aos refugiados. O pedido foi negado. Para a Oxfam, o trabalho das
ONG's está sendo inviabilizado e até 500 mil refugiados
estão sob ameaça de morrer com a chegada do inverno
rigoroso.
Depois de seis semanas,
prazo estipulado pela ONU para o envio de alimentos, a temperatura
cairá demais dificultando muito a entrega da comida no terreno
montanhoso do Afeganistão. Com o inverno, haverá nevascas
que vão isolar os civis que vivem nas áreas afegãs
mais afastadas dos centros urbanos e com a guerra, a população
fica ainda mais ameaçada.
Recusando-se a atender
os pedidos das ONG's e ONU, o primeiro-ministro britânico
Tony Blair afirmou que o mais importante para o povo afegão
é ser libertado da "tirania do regime Taleban".
A crise humanitária
afegã foi classificada como "a situação
de emergência mais séria e complexa" da história,
segundo a ONU. A entidade ressalta que 6 milhões de afegãos
necessitam de ajuda emergencial e que 1,5 milhão de pessoas
estão desabrigadas no país.
As ofensivas dos EUA
e Inglaterra foram criticadas pela ONU, já que os ataques
contribuem para a crise humanitária, tornando mais difícil
o trabalho das equipes.
O Unicef lembrou ainda
que mesmo antes dos ataques, metade das crianças do Afeganistão
sofria de problemas de má alimentação e que,
anualmente, 300 mil crianças morriam no país por causas
que poderiam ser evitadas.
MSF
se esforça para ajudar afegãos vítimas da guerra
Desde que se iniciou
o conflito norte-americano com o Afeganistão, grupos de ajuda
humanitária tiveram que se retirar do local, deixando milhares
de civis afegãos entregues à própria sorte.
Um dos únicos grupos que ainda mantém equipes no Afeganistão
e em países vizinhos é o Médicos Sem Fronteiras
(MSF), uma ONG de origem francesa, formada por médicos e
voluntários que prestam atendimento humanitário à
populações vítimas de conflitos em todo o mundo.
De acordo com o assessor
de imprensa da MSF, Fábio Shiguehara, há grupos de
voluntários da ONG no Afeganistão formados pelos próprios
afegãos que dão continuidade aos programas de apoio
aos hospitais de referência. Eles atuam no norte do país
(área não controlada pelo Taleban).
Sem poder estar dentro
do Afeganistão, a MSF reforçou sua presença
em países vizinhos, como Paquistão, Irã, Tadjiquistão
e Turcomenistão e se esforça para responder às
necessidades que resultam dos deslocamentos da população.
Os afegãos já
viviam a precariedade causada pela fome devido à seca e falta
de estrutura de saúde, que faziam vítimas diariamente.
O inverno e a guerra aumentam o pesadelo.
Ainda segundo Shiguehara,
as pessoas do mundo inteiro que quiserem colaborar com o trabalho
humanitário no Afeganistão podem fazer doações.
"O trabalho dos MSF é totalmente independente e realizado
a partir dos próprios fundos", afirmou o assessor de
imprensa. De acordo com ele, esses fundos equivalem a 74% do orçamento
geral da entidade, provindos de doações de pessoas
do mundo inteiro.
Os membros da MSF já
foram expulsos do Afeganistão em 1998 e voltaram em maio
de 1999. Eles foram acusados de tentar difundir a religião
cristã no país. Ainda em 1999, a ONG ganhou o Prêmio
Nobel da Paz.
Catástrofe
- Mesmo antes dos bombardeios norte-americanos e britânicos
no Afeganistão, no início de outubro, os afegãos
já viviam uma situação de calamidade. Segundo
informações da MSF, eram atendidas 45 mil pessoas
por mês, em 20 clínicas que atuavam com programas especiais
de vacinação, além de centros de distribuição
de comida. A desnutrição é grande por lá
e a seca é considerada a pior dos últimos 30 anos.
Mesmo antes dos atentados
aos EUA, os grupos humanitários deviam obedecer uma série
de regras locais, mas ainda era possível proporcionar serviço
médico a mulheres e crianças. As mulheres, por exemplo,
só deviam ser atendidas por médicas ou enfermeiras.
Médicos tratavam apenas homens. O atendimento às mulheres
representava cerca de 60% das consultas.
Para informações
sobre doações, consulte o site dos MSF (Médicos
sem Fronteiras / Médecins Sans Frotières): www.msf.org.br
Júnior
Pública FGV realiza curso para entidades do Terceiro Setor
Nos dias 12,
13 e 14 de novembro será realizado na FGV/EAESP a primeira
edição do Curso Júnior Pública para
entidades do terceiro setor - 3S. O evento será dividido
em três módulos - Gestão, Captação
de Recursos e Voluntariado - e contará com a coordenação
de Edson Sadao, Paula Shommer e Marcelo Estraviz. O objetivo é
capacitar entidades e desenvolver o lado profissional de seus gestores.
No dia 9 de novembro ocorrerá uma palestra de apresentação
do curso, seguida de um coquetel de lançamento.
As vagas são
limitadas e as inscrições podem ser feitas através
do site www.juniorpublicafgv.com.br
ou pelo e-mail curso_3s@yahoo.com.br
. O valor de cada inscrição é R$ 150,00 e apenas
duas pessoas por entidade podem se inscrever. Maiores informações
pelo telefone (11) 3281-7902 com Mariana Polido ou Pedro Horigoshi.
Dicionário
enciclopédico ilustrado trilíngüe da Língua
de Sinais Brasileira
O
primeiro dicionário da Língua de Sinais Brasileira
- Libras é fruto de cinco anos de pesquisas intensivas no
Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo. Tais
pesquisas foram conduzidas com informantes surdos de várias
organizações e professores surdos da Federação
Nacional de Educação e Integração de
Surdos - Feneis que ensinam Libras como profissão. Depois
disso, durante um ano, o corpo de milhares de sinais do dicionário
passou pela revisão de surdos em reuniões semanais
na Coordenação Nacional de Cursos de Libras da Feneis.
Finalmente, após inúmeros aperfeiçoamentos
no Laboratório de Neuropsicolingüística Cognitiva
Experimental do Instituto de Psicologia, o dicionário foi
plenamente aprovado.
Publicado pela
Edusp, o dicionário tem o objetivo de servir de instrumento
para a concretização da educação bilíngüe
no Brasil e o resgate da cidadania do surdo brasileiro. Ele traz
dezenas de milhares de ilustrações da Libras distribuídas
em dois volumes, num total de 1.620 páginas. Compõe-se
de três capítulos introdutórios, um corpo principal
de sinais, um dicionário Inglês-Português, um
índice semântico, um conteúdo semântico,
três capítulos em educação em surdez
e três em tecnologia em surdez.
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