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Solicitar
uma doação é uma "arte"?
Algumas chaves desse processo
Daniel Yoffe *
Chamar de "arte" a esse processo implica excluir aqueles
que não são "artistas", de onde se supõe
que esta é uma atividade para muito poucos.
A realidade é
que a solicitação de uma doação é
a última etapa de um processo de planejamento e investigação
que se não se realizar adequadamente, reduz significativamente
as possibilidades de êxito. Solicitar uma doação
é uma habilidade que requer preparação, experiência
e reflexão.
Vejamos alguns dos princípios
chaves desse processo:
1- Estabelecer objetivos
econômicos razoáveis para a campanha de arrecadação.
A experiência do passado mais a avaliação do
possível podem dar uma idéia para esta definição.
2- Crer firmemente
na instituição a que se pertence é determinante.
Se não for assim, dificilmente poderemos pedir isso a nossos
potenciais doadores.
3- Compreender a forma
de pensar e sentir do potencial doador. Costumamos dedicar muito
tempo explicando quem somos e o que fazemos e tempo insuficiente
ao que o doador pensa e quais são suas expectativas, etc.
4- Estabelecer uma
relação de longo prazo. A medida que você
vai conhecendo seu potencial doador é sua responsabilidade
fornecer informações que o permita compreender como
sua doação presente ou futura pode satisfazer seus
próprios desejos, expectativas ou necessidades.
5- Estar preparado
e bem disposto a responder a todo tipo de perguntas e questionamentos
sobre sua instituição ou programas que desenvolve.
6- Manter uma atitude
profissional. Isto não só reflete quem você
é, como também sua instituição.
7- Conhecer profundamente
sua instituição. Se você ignora aspectos
fundamentais de sua instituição, não está
preparado ainda para fazer uma solicitação ou deve
ir acompanhado de alguém que tenha preparo necessário.
8- Dizer a verdade.
Se fizer isso, nunca precisará fazer esforço para
se recordar do que disse anteriormente.
9- Ser sincero.
Quando você é sincero, as pessoas percebem.
10- Vender as conseqüências
da doação. O impacto e as conseqüências
do ato de doar são importantes.
11- Avaliar minuciosamente
seu potencial doador antes de solicitar uma doação.
De que adianta dedicar tempo com quem não tem interesse
ou não dispõe de recursos para doar?
12- Nunca desqualificar
uma outra instituição. Você pode ter a tentação
de fazer comentários negativos sobre outras organizações.
Você não precisa disso. Se precisar, ainda não
está suficientemente preparado.
13- Ser pontual.
Sabemos que é costume não cumprir com os horários.
Talvez essa atividade lhe dê a oportunidade de mudar algumas
"tradições". Respeitar o horário
é uma mensagem. Se for se atrasar, avise.
14- Compartilhar com
o doador experiências reais. "Na semana passada,
uma família nos procurou....".
15- Solicitar a doação.
Isso parece óbvio, mas não é. Muitas doações
esperadas não chegam porque na verdade nunca foram solicitadas.
Não basta contar a história, é necessário
pedir o recurso.
16- Se fizer uma promessa,
cumpra. Neste ponto, temos que fazer um comentário adicional.
A recente experiência de promessas não cumpridas em
nosso país depõe significativamente contra a confiança
que os doadores depositam em nossas instituições.
Devemos ser responsáveis e saber reconhecer o que podemos
ou não cumprir e sermos claros a esse respeito.
17- Depois de solicitar
a doação, fechar a boca. É duro fazer isso?
Tome essa recomendação quase como uma prescrição
médica. A experiência nos mostra que costumamos ficar
ansiosos quando fazemos uma solicitação e não
paramos de falar. Se o doador decide que não vai doar, antes
de "entregar os pontos", pergunte-se: o que você
aprendeu dessa experiência, o que poderia ter feito que não
fez, etc...
18- Reconhecer seus
erros. Evite apontar culpas.
19- Manter contato
com o potencial doador. Ele pode não ser um doador hoje
mas talvez amanhã ou daqui a algum tempo. A ação
realizada forma parte do capital de experiência que você
e sua instituição devem acumular como um recurso valioso.
20- Aprender a aceita
NÃO como reposta. Muitas pessoas recebem o "não"
como uma questão pessoal e isso não é assim.
Erros que não
devemos cometer
- Falar muito e escutar
pouco.
- Não fazer perguntas.
- Não conhecer suficientemente o doador potencial.
- Não solicitar a doação.
- Não pedir uma soma específica.
- Não ser flexível e não ter opções.
- Falar ao invés de manter silêncio logo após
a solicitação do recurso.
* Daniel Yoffe é professor da Universidad
Austral - Escuela de Educación e da Universidade Católica
de Córdoba, e diretor da "The Fund Raising School"
da Indiana University - Center on Philanthropy para Argentina, Brasil
e Chile.
Tradução de Valéria Maria Trezza.
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