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Do Estado Provedor à Responsabilidade Social Empresarial
Veronica Vaz Mageste* e Ailton Mota de Carvalho**
Contextualização e introdução
ao tema
Inovações de todo tipo sempre
foram fundamentais para a manutenção do Capitalismo como Sistema
Econômico, assim como, para a manutenção e fortalecimento das
empresas no mercado. Buscando responder a uma demanda ou mesmo
aprimorar serviços e produtos, as empresas defendiam seus lucros
investindo em inovações de caráter basicamente tecnológico. Os
modos de produção passaram por transformações e tornou-se mais
simples e barato produzir mais em menos tempo.
No entanto, hoje, apenas
produzir bons produtos e serviços, inovadores e modernos,
tornou-se uma prática comum e pode-se arriscar a dizer,
insuficiente, se o objetivo da empresa for competir no mercado
externo ou mesmo se tornar uma marca forte e diferenciada.
Novos valores e necessidades
decorrentes da Globalização, que possibilitou uma maior
integração principalmente comercial entre os países, tiveram de
ser incorporados. O cumprimento de exigências diversas e da
legislação local tornaram-se imprescindíveis para as empresas
interessadas em concorrer no mercado externo, onde para vender
seus produtos, deveriam respeitar os padrões locais.
Dessa forma, a Globalização,
habitualmente definida como uma crescente integração das
economias nacionais, ocasionou basicamente quatro tipos de
impactos que configuraram grandes transformações políticas,
econômicas e sociais. Segundo Brunner[i],
esses impactos são: 1) decisionais, onde o processo de
globalização, em determinado grau, altera e influencia as opções
de políticas que devem ser adotadas pelos governos, corporações,
coletividades ou famílias; 2) institucionais, quando as forças e
condições da globalização configuram a agenda de opções
disponíveis para as decisões políticas; 3)distribucionais,
relacionado às forças e condições da globalização que incidem
nas forças sociais (grupos, classes e coletividades) dentro das
sociedades e países; 4) estruturais, que condicionam a curto,
médio e longo prazo os padrões de organização e comportamento
políticos, econômicos e sociais[ii].
A abertura dos mercados e a
maior comunicação e integração entre os países possibilitou uma
discussão mais profunda acerca dos efeitos negativos da
globalização e das políticas neoliberais, assim como, dos
problemas sociais enfrentados pelos países menos desenvolvidos e
uma maior mobilização em prol da temática do meio ambiente.
Instituições e organizações, de caráter global, foram criadas
com o objetivo principal de discutir e formular saídas viáveis
para problemas que antes eram tratados como males locais.
Desigualdade social, pobreza,
exclusão, baixo grau de escolaridade, baixa qualidade de vida
dos trabalhadores, trabalho infantil, corrupção, degradação
ambiental e a exploração desenfreada de recursos naturais,
tornaram-se questões a serem discutidas não somente em gabinetes
de chefes de estado de países em vias de desenvolvimento, mas
também em conferências mundiais. Dessa forma, chefes de estado,
organizações multilaterais, empresas e sociedade assumiam a
responsabilidade de discutir essas questões e sugerir medidas
frente aos Estados e sua incapacidade de resolver todos esses
problemas.
É nesse ponto que podemos
inserir e compreender a atuação das empresas em áreas sociais,
como também, as inovações relacionadas à forma de gerir as
empresas.
Assumir uma postura
socialmente responsável tornou-se não só uma atividade de cunho
filantrópico, mas também uma demanda gerada pelo contexto
mundial e uma necessidade para inserir-se no mercado global.
Segundo Oded Grajew, presidente do Instituto Ethos de Empresa e
Responsabilidade Social, “A empresa que não for socialmente
responsável não terá espaço no mercado”[iii].
O interesse em melhorar o ambiente de trabalho, oferecer
melhores condições aos trabalhadores, executar atividades
direcionadas à melhoria do bem-estar social das comunidades e
evitar a degradação ambiental (que podem ser considerados
inovações na forma de pensar e agir do empresariado) converte-se
em uma excelente maneira de fortalecer a imagem corporativa,
conseguir melhores contratos, diferenciar-se frente a outras
empresas e aumentar a produtividade.
1. Do Estado Provedor à Responsabilidade Social
1.1 Descentralização do Estado Nacional
A partir dos anos 80, o Brasil
passou por um complexo processo de transformação institucional
que foi impulsionado pela redemocratização e descentralização do
Estado Nacional. Esses dois processos, que ocorreram de forma
análoga, só foram possíveis devido ao empenho do próprio Governo
em torná-los legítimos, através de diversas medidas referentes
aos Estados e Municípios, o que fazia da proposta bastante
atrativa para os poderes locais.
No entanto, essa transferência
de poderes e obrigações resultantes do processo de
descentralização, transformaram o antigo Estado Provedor em um
novo Estado Regulador, que teria as funções de regular as
condições sob as quais os vários mercados são autorizados a
operar, como também avaliar os resultados obtidos, e não mais se
preocupar com os diversos serviços que deveriam ser prestados à
sociedade[iv].
Dessa forma, a
responsabilidade com relação à promoção de políticas públicas
que visasse à melhoria do bem-estar social ficou ao encargo dos
Estados, portanto, do poder local, que incapaz de formular e
implantar políticas realmente eficazes destinadas à população,
abriu uma interessante brecha para o capital privado.
A mudança no papel do Estado
fez parte de uma transformação mais ampla na arquitetura
política que ocasionou grandes modificações no que diz respeito
às políticas públicas. Assim, tornou-se comum para o Estado
Nacional efetuar ações que levassem à privatização, através da
venda de empresas estatais e mesmo através de concorrências.
A idéia de financiamento
privado para desenvolvimento de serviços públicos atraiu à
atenção de diversos órgãos internacionais, como o Banco Mundial,
e tornou-se uma prática recomendada aos governos de países em
via de desenvolvimento. Os discursos acerca da utilização do
capital privado para financiar serviços públicos remetem à noção
de parceria e suas vantagens para a promoção de políticas
sociais.
De acordo com Stephen Ball,
“Globalmente, todo um leque de agências multilaterais, cada qual
a seu modo, está trabalhando arduamente para criar outros
espaços para a “privatização” e a participação do setor privado
na prestação de serviços públicos”[v].
O autor ainda destaca o modo como as ações dessas agências se
conciliam quando se trata de criar um senso comum, fortalecer
uma opinião ou mesmo legitimar uma decisão política, num único
discurso que afirma que esse é o único caminho infalível (the
one and only best way).
Não se pode deixar de
mencionar que essa transformação do Estado Provedor para o
Estado Mínimo, regulador, favoreceu o surgimento de muitas
organizações direcionadas a formulação de políticas sociais e
implementação de projetos destinados às populações mais carentes
e excluídas. A maioria destas organizações são de origem não
governamental que têm seus projetos financiados pelo capital
privado, através de doações, parcerias, patrocínios, apoios e
até mesmo pelo Estado. Essas organizações não-governamentais (ONG´s)
passaram a ocupar um espaço considerável no setor das políticas
sociais, oferecendo à população todo tipo de serviço e ajuda em
diversas áreas, com diversos propósitos.
Assim, procuramos, de forma
breve e sucinta, expor uma das diversas transformações políticas
e econômicas que acarretaram grandes mudanças na estrutura
social, na Economia, na atuação do Estado, e nas relações em
geral. Essas transformações abriram brechas e criaram demandas a
serem preenchidas pelo capital privado desencadeando uma série
de fenômenos contemporâneos, como a Responsabilidade Social
Empresarial, por exemplo.
1.2 Livre Comércio nos Países em Desenvolvimento
Após mais de duas décadas de
profundas reformas estruturais induzidas pelo discurso
hegemônico – abertura, privatização e exposição à concorrência
internacional – o grau de vulnerabilidade externa da maioria dos
grandes países da periferia mundial aumentou bastante, segundo o
professor Gilberto Dupas[vi].
As promessas de uma maior participação no comércio
internacional, em geral, se efetivaram, no entanto, as economias
emergentes não se beneficiaram o suficiente. O mercado mundial
cresceu muito além dos PIB´s (Produto Interno Bruto), mas
tamanha explosão do crescimento se deu graças ao fracionamento
da produção das grandes empresas transnacionais, que com a
globalização e a tecnologia de informação, levaram seus produtos
e empresas para mais perto dos consumidores e de meios de
produção mais baratos (mão-de-obra, insumos e outros).
Nesse ponto é importante
lembrar que, apesar de muitos economistas demonstrarem as muitas
vantagens do livre comércio mundial, essas doutrinas são
tipicamente originárias de países onde um poder dominante se
defronta com rigidez, restrições ou monopólios que deseja
destruir, por considerá-los obstáculos a um maior crescimento de
suas empresas, de suas indústrias[vii].Se
as grandes corporações acreditam em suas capacidades de
destruírem os rivais em potencial, obviamente preferirão um
mercado aberto, livre de restrições.
Dessa forma, a política de
abertura comercial possui várias faces. Países desenvolvidos, de
forte economia e empresas consolidadas, impõem regras e padrões
cada vez mais difíceis de serem cumpridos pelas economias
emergentes de países em desenvolvimento. E através de um
protecionismo disfarçado, se deparam com um mercado mundial
aberto e sem restrições, enquanto mantém suas empresas e
economias protegidas pelas normas que elaboram.
Na América Latina, com a
abertura econômica vem se agravando o desequilíbrio externo
estrutural na maior parte de seus países. Esse desequilíbrio é
resultado da lógica das cadeias produtivas globais que exige
para tais países mais importações do que permite exportações,
causando um desequilíbrio na balança comercial que afeta
profundamente o desenvolvimento das relações comerciais. Sempre
que esses países começam a crescer aumentam os déficits
comerciais que levam ao crescimento da dívida externa e ao
agravamento dos juros, resultando num regime tipo stop and go,
que permite um crescimento de apenas 2% a 3% ao ano[viii].
Com o livre mercado, houve a
necessidade de um órgão multilateral que viesse a regular as
transações comerciais entre os países, por isso, foi criada em
1995 a Organização Mundial do Comércio (OMC) que assumiu as
funções da então, extinta, GATT (Acordo Geral de Tarifas e
Comércio). A OMC passou a ser a responsável pela negociação e
supervisão das regras do comércio internacional, constituindo um
tribunal para os conflitos do comércio, com o poder de autorizar
os membros vencedores a retaliarem os membros perdedores, caso
tais membros não cumprissem com as decisões tomadas.
Muitos problemas envolvem as
negociações comerciais internacionais, principalmente no que diz
respeito à imposição de regras a países periféricos por países
centrais, que acabam por se configurar em verdadeiras barreiras.
Essas imposições estão ligadas, normalmente, às questões
trabalhistas, sanitárias, ambientais. Alguns países centrais
utilizam o argumento de que empresas que atuam em países cuja
legislação trabalhista é mais flexível e permissiva, obtêm um
menor custo de produção e que esse fato acarretaria distorções
no mercado. Outra discussão está ligada às questões sanitárias,
onde as exigências são cada vez maiores e embargos e boicotes, a
produtos cuja origem pertence a países periféricos, ocorrem
indiscriminadamente, sem que haja qualquer comprovação
científica para o fato.
Na tentativa de resolução do
problema sobre a diversidade legislativa, a OMC vem tentando
estabelecer um acordo no qual os regulamentos para as
negociações comerciais derivem de normas internacionais,
desenvolvidas por órgãos internacionais, como a ISO[ix].
No entanto, não podemos considerar essa atitude, uma ação
neutra, uma vez que esses órgãos internacionais se situam em
países desenvolvidos, onde foram criados e consolidados, e se
baseiam na legislação local, apenas acrescentando algumas
cláusulas, sendo, portanto muito mais simples e rápido para
esses países se adequarem às novas exigências.
Dessa forma, se analisarmos as
questões que envolvem o livre comércio, o fim do Estado
Provedor, a Globalização, as exigências do mercado
internacional, OMC, as barreiras comerciais e o protecionismo
comercial, poderemos vislumbrar o entendimento das origens e
fundamentos que levaram às grandes empresas a investirem na
promoção social, no bem-estar dos funcionários, na boa relação
com clientes, acionistas, fornecedores, no respeito às leis
trabalhistas, na preservação ambiental, na formulação de uma
ética e moral empresarial sadia, no incentivo a solidariedade e
confiança , enfim, nas práticas socialmente responsáveis.
1.3 Responsabilidade Social Empresarial: Um Fenômeno Complexo
Após a breve discussão sobre a
reforma do Estado e as dificuldades de países em desenvolvimento
em competir no mercado mundial, é possível imaginar outras
razões para que as empresas invistam em programas sociais e
ambientais, além de caridade, filantropia e preocupação com a
utilização de recursos naturais.
Não que seja impossível o fato
de muitos empresários financiarem esses projetos de maneira
desinteressada, no entanto, são inevitáveis as vantagens que se
ganha quando se investe em Responsabilidade Social.
Comecemos pelos conceitos que
a Responsabilidade Social estabelece como imprescindíveis para
que uma empresa possa ser considerada socialmente responsável:
ética nos negócios, transparência, incentivo à confiança e
solidariedade no ambiente de trabalho, respeito à legislação
trabalhista e ambiental, não corrupção. Há ainda exigências com
o que se refere à construção de um código ético interno que
teria a função de melhor disseminar e facilitar a absorção dos
valores defendidos pela empresa. Todos esses conceitos,podem ser
facilmente relacionados ao conceito de Capital Social.
Capital Social, como qualquer
outra forma de capital é produtivo, tem como principal
característica à capacidade de realizar certos objetivos que
seriam inalcançáveis, caso ele não existisse. O Capital Social,
diz respeito às características da organização social, como
confiança, normas e sistemas, que contribuam para aumentar a
eficiência da sociedade, facilitando ações coordenadas, como
também, à cooperação espontânea[x].
De acordo com Putnam, a
incapacidade de cooperar para o mútuo proveito não significa
necessariamente ignorância ou irracionalidade, especialistas em
teoria dos jogos observaram esse drama em diversas
circunstâncias como: no drama dos bens comuns, pela lógica da
ação coletiva e pelo dilema do prisioneiro. Em todas as
situações ambas as partes teriam a ganhar se cooperassem, no
entanto, na falta de um compromisso mútuo confiável cada qual
prefere desertar, se tornado um oportunista[xi].
Nas sociedades complexas, a
confiança social pode manar de duas fontes que possuem estreita
ligação: as regras de reciprocidade e os sistemas de
participação cívica. As regras podem ser incutidas e sustentadas
tanto por meio de condicionamento e socialização (por exemplo,
educação cívica) quanto por meio de sanções[xii].Nesse
ponto, destaco a relação entre confiança, produtividade e
responsabilidade social empresarial, com o seguinte argumento: a
elaboração de um código interno de conduta, pautado em valores
éticos favorecendo a confiança e solidariedade, pode ser
considerado um importante passo para o fortalecimento do capital
social, e que como já foi provado, aumenta a produtividade e
diminui os custos de produção. Ou seja, investir na
Responsabilidade Social além de ser uma excelente estratégia
empresarial, pode ser considerado uma prática interessante para
as empresas, uma vez que diferencia e agrega valor à marca e
ainda incentiva a formação de capital social, que é altamente
lucrativo por favorecer a cooperação, transparência e
solidariedade no ambiente de trabalho, diminuindo os custos de
produção e gerenciamento de tarefas.
A utilização do capital social
como forma de aumentar a produtividade e impulsionar o
crescimento e desenvolvimento tem sido defendido,
freqüentemente, por órgãos mundiais como a ONU (representado,
neste caso, pela CEPAL), principalmente no que diz respeito a
políticas para desenvolvimento em países periféricos, onde há
maior escassez e má distribuição dos outros capitais.
Dessa forma, podemos chegar a
uma prévia conclusão acerca dos motivos e razões pelos quais as
empresas vêm assumindo uma atitude mais transparente e
compromissada frente a seus clientes, fornecedores, acionistas,
funcionários, consumidores, meio ambiente e sociedade.
2. Fundamentação Teórica
2.1. Breve Histórico sobre Responsabilidade Social
Desde o início do século XX
diversas manifestações a favor da Responsabilidade Social
Empresarial (RSE) foram registradas. No entanto, foi nos 60 nos
Estados Unidos da América e nos anos 70 na Europa –
particularmente na França, Inglaterra e Alemanha – que a
sociedade começou acompanhar mais de perto a atuação das
empresas no que dizia respeito ao assunto.
Esse repentino interesse da
sociedade americana e européia pelo comportamento das empresas
não aconteceu aleatoriamente. Foi devido ao repúdio da população
à Guerra do Vietnã que se deu início a um movimento de boicote à
aquisição de produtos e maior questionamento das ações de
algumas empresas ligadas ao conflito. Empresas envolvidas
diretamente na Guerra e tendo como finalidade única o lucro
começavam a ser cobradas e uma nova postura ética era exigida.
Com o objetivo de tornar mais transparentes suas ações, as
empresas, passaram a prestar contas e a elaborar e divulgar
anualmente relatórios contendo informações de caráter social que
resultaram no que hoje podemos chamar de balanço social[xiii].
De acordo com o documento de
trabalho produzido pelo Centro Internacional de Formação da OIT
(Organização Internacional do Trabalho), A Responsabilidade
Social Empresarial, na Espanha, aparece em finais dos anos 90
através da Associação de Instituições de Investimento Coletivo e
Fundos de Pensões (INVERCO) que por sua vez introduziu o
conceito de Investimento Social Responsável.
As
organizações sociais tentavam fomentar a poupança responsável,
dado que para poder incluir empresas espanholas nas carteiras de
determinados fundos de investimento e de outros produtos éticos
financeiros era necessário conhecer a situação do tecido
empresarial espanhol nesse âmbito[xiv].
Nesse sentido, as Caixas de
Poupanças[xv]
realizaram um trabalho essencial como fundações de caráter
privado que combinam a sua atividade financeira com uma profunda
vocação social.
No Brasil, segundo Torres, os
ventos desta mudança na gestão empresarial já podiam ser notados
na “Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas” desde
a sua publicação, em 1965, pela Associação de Dirigentes
Cristãos de Empresas do Brasil (ADCE Brasil)[xvi].
A ADCE Brasil, dentre os
objetivos que almeja, pretende assegurar a importância da
empresa para a sociedade e para o desenvolvimento socioeconômico
do país afirmando que “A empresa, além de sua função econômica
de produtora de bens e serviços, tem a função social que se
realiza através da promoção dos que nela trabalham e da
comunidade na qual se integra”[xvii].
2.2
Responsabilidade Social: Em busca de um conceito
Conceituar a expressão
“Responsabilidade Social” pode parecer uma tarefa simples para
qualquer cidadão comum um pouco mais informado e atento aos
apelos da mídia. Ao contrário do que muitos de nós imaginamos,
tanto a prática como o conceito, não são tão recentes e
inovadores. Ao buscarmos em uma literatura mais especializada,
definições que possam elucidar essa expressão, nos deparamos com
um tema complexo e repleto de incoerências com relação a datas,
origem, conceitos.
As primeiras dificuldades surgem
logo quando tentamos problematizar e entender a expressão.
Afinal, Responsabilidade Social é uma expressão muita vaga e
abrangente se entendermos que, em princípio, todos temos nossa
parcela de responsabilidade para com a sociedade. Então, como
definiremos, essa Responsabilidade Social que as empresas vem
assumindo e tomando para si, através de projetos e ações
internas e externas? Que implicações políticas, sociais e
econômicas abrangem essas ações? Quem as formulam, como são
planejadas e para quais fins? Como a comunidade vê e o que
espera desses projetos? Há intenção de construir uma nova forma
de consumo, um “consumo responsável”, com base na repercussão
dessas ações? Filantropia, marketing ou estratégia empresarial?
Devido à
abrangência e indefinição dessa expressão, torna-se
imprescindível à construção de um recorte conceitual que limite
e delineie o objeto a ser investigado.
Dessa forma,
foi eleito o conceito Responsabilidade Social Empresarial, uma
vez que o termo Responsabilidade Social nas Empresas poderia
sugerir apenas as ações sociais internas, aquelas destinadas aos
funcionários e que visassem à criação de um ambiente de trabalho
mais saudável, um maior bem-estar interno que favorecesse a
produtividade e satisfação de funcionários, parceiros, clientes
e empregadores. No entanto, a expressão Responsabilidade Social
das Empresas sugere seus encargos para com a sociedade de uma
maneira mais externa e paradoxalmente restrita, ou seja, através
do cumprimento de leis e de deveres que apenas viessem reparar
danos sociais e ambientais causados por sua atividade no local
de instalação.
Para Melo e Brennand, a idéia de
Responsabilidade Social, pode ser associada ao compromisso de
contribuir para o desenvolvimento social, ao dever ético da
empresa em assegurar transparência e lisura em seus negócios e à
preservação do meio ambiente[xviii].
Há muitas outras associações.
Segundo o teórico Dickson: “Responsabilidade Social é um
conjunto de filosofias, políticas, procedimentos e ações de
marketing com intenção primordial de melhorar o bem-estar
social”[xix].
Para Fraedrich & Ferrel,
Responsabilidade Social é a obrigação que a empresa assume com a
sociedade, ou seja, implica em maximizar os efeitos positivos
sobre os stakeholders[xx]
e minimizar os efeitos negativos de suas ações na sociedade.
Dessa forma, para atingir tal objetivo os autores dividem a
Responsabilidade Social em quatro tipos de responsabilidade:
-
A econômica (que consiste em
produzir bens e serviços a preços que satisfaçam a sociedade
e os investidores);
-
A legal (que diz respeito às
leis que devem ser cumpridas);
-
A filantrópica (relacionada
ao comportamento e atividades desejadas pela sociedade que
são ditadas pelos valores da empresa) e
-
A ética (que se refere ao
comportamento e atividades que a sociedade espera da empresa
e que não estão codificados em leis)[xxi].
Patrícia
Almeida Ashley, doutoranda no tema, apresenta uma definição
interessante para a Responsabilidade Social Corporativa.
Para Ashley:
Trata-se do compromisso contínuo nos negócios
pelo comportamento ético que contribua para o
desenvolvimento econômico, social e ambiental, pressupondo a
realização de decisões empresariais que sejam resultado da
reflexão sobre seus impactos sobre a qualidade de vida atual
e futura de todos que sejam afetados pela operação da
empresa[xxii]
Adriana
Muller, em sua dissertação, nos proporciona uma nova expressão:
“Empresa Cidadã”, que mesmo sendo recente, têm recebido atenção
tanto no meio empresarial quanto na mídia. Assim, a autora
utiliza a definição de Costa para explicar essa expressão:
Empresa
Cidadã:
É uma organização que cria um ambiente agradável de trabalho
valorizando seus recursos humanos e é capaz de desenvolver
um modelo de gestão integrado onde as pessoas têm o papel
decisivo no seu compromisso com relação à comunidade e à
sociedade em geral. E ainda, é uma empresa que se organiza e
constrói maneiras alternativas de participar, conviver e
viver melhor[xxiii].
Uma empresa
cidadã não se interessa apenas pelos resultados financeiros do
seu balanço econômico, mas procura avaliar sua contribuição para
com a sociedade e se posicionar de maneira pró-ativa frente aos
problemas sociais existentes. Entretanto, a prática da cidadania
empresarial resulta em ganhos substanciais para a empresa, como
o valor agregado à imagem, o desenvolvimento de lideranças
conscientes e socialmente responsáveis. Outro ponto favorável
diz respeito à melhoria do clima organizacional, que impulsiona
a produtividade da empresa e conseqüentemente a obtenção de
lucro.
Dessa forma,
destaca Adriana Mueller:
É
preciso ressaltar que essa nova forma de gerir das empresas
tendo como pressuposto o investimento na área social tem sua
tradução na atual estratégia empresarial: por meio desta
postura, as empresas buscam fortalecer sua imagem
corporativa e causar impacto na opinião pública,
diferenciando-se dos concorrentes.
Já há algum tempo, em função da acirrada competição
mercadológica, produzir produtos e/ou serviços de qualidade
deixou de marcar a diferença entre as empresas. Cada vez
mais, os consumidores estão se tornando exigentes com
relação aos produtos que consomem, às normas éticas e à
legislação existente[xxiv].
De acordo
com a definição, disponibilizada na internet, para o Instituto
Ethos, Responsabilidade Social Empresarial é:
(...) uma forma de conduzir os negócios que torna a empresa
parceira e co-responsável pelo desenvolvimento social. A
empresa socialmente responsável é aquela que possui a
capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes
(acionistas, funcionários, prestadores de serviço,
fornecedores, consumidores, comunidade, governo e meio
ambiente) e conseguir incorporá-los ao planejamento de suas
atividades, buscando atender às demandas de todos, não
apenas dos acionistas ou proprietários[xxv]
Dessa forma, a
Responsabilidade Social está diretamente associada aos negócios
da empresa e a maneira como a mesma os conduz. Ou seja,
Responsabilidade Social, nesse caso, torna-se não só um conceito
a ser aplicado em ações externas, mas um conjunto de valores a
ser incorporado pela empresa e funcionários, que se consolida em
uma gestão empresarial diferenciada, voltada para as
necessidades dos funcionários, clientes, investidores e
sociedade.
Necessidades
estas que incluem, não só o cumprimento de leis e obrigações,
como também uma maior responsabilidade para com a sociedade, no
sentido de tentar amenizar as injustiças sociais e também apoiar
iniciativas que busquem a diminuição da discriminação de cor, de
gênero e de deficientes físicos no mercado de trabalho e nas
relações, em geral. Outra preocupação que ganhou destaque dentro
dessa nova forma de gerir está relacionada ao meio ambiente e a
relação com o espaço. Ou seja, as empresas, agora, já não podem
explorar os recursos naturais indiscriminadamente e uma postura
mais responsável é cobrada no que diz respeito à poluição (das
águas, do ar, do som) e degradação.
2.3
Responsabilidade Social X Filantropia
Paoli, como outros autores,
associa a Responsabilidade Social à filantropia. Para ela,
Responsabilidade Social é o preenchimento de “um espaço
filantrópico organizado por empresários nacionais e de empresas
multinacionais no Brasil”. Nesse sentido, o exercício da
Responsabilidade Social Empresarial é um produto do ativismo
social do empresariado, bem como da disposição altruísta
voluntária de uma organização ou empresa[xxvi].
Essa visão
apresentada pela autora pode ser considerada um tanto
ultrapassada, se contextualizarmos a discussão e analisarmos as
mudanças na prática e no conceito de Responsabilidade Social,
que era basicamente filantrópica, realmente, na época do
welfare state (década de 70, na Europa).
Segundo Melo Neto e Froes, nesse
período a Responsabilidade Social era: “ação caridosa, típica
dos capitalistas do início do século, que utilizavam
filantropia como forma de expiação dos seus sentimentos de culpa
por obterem lucros fáceis (...)”[xxvii].Os
autores explicam a diferença entre Responsabilidade Social e
Filantropia da seguinte forma:
A filantropia é individualizada, pois a atitude e a ação são do
empresário. A responsabilidade social é uma atitude coletiva e
compreende ações de empregados, diretores e gerentes,
fornecedores, acionistas e até mesmo clientes e demais parceiros
de uma empresa. É, portanto, uma soma das vontades individuais e
refletem um consenso.
A responsabilidade social é uma ação estratégica da empresa que
busca retorno (...). A filantropia não busca retorno algum,
apenas o conforto pessoal e moral de quem a pratica[xxviii].
O Instituto
Ethos de Empresas e Responsabilidade Social também diferencia
Responsabilidade Social e Filantropia ao afirmar que: “A
filantropia é basicamente uma ação social externa da empresa,
que tem como beneficiária principal a comunidade em suas
diversas formas (conselhos comunitários, organizações
não-governamentais, associações comunitárias,
etc) e organizações”[xxix].
Enquanto
a Responsabilidade Social estaria “focada na cadeia de negócios
da empresa e engloba preocupações com um público maior
(acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores,
consumidores, comunidade, governo e meio ambiente), cuja demanda
e necessidade a empresa deve buscar entender
e incorporar aos negócios”[xxx].
No quadro
abaixo, Melo Neto e Froes, ilustram as diferenças entre
Filantropia e Responsabilidade Social[xxxi]:
|
Ilustração 2 - Diferenças entre Filantropia e
Responsabilidade Social |
|
Filantropia |
Responsabilidade Social |
|
Ação
Individual e voluntária |
Ação
coletiva |
|
Fomento
da caridade |
Fomento
da cidadania |
|
Base
assistencialista |
Base
Estratégica |
|
Restrita a empresários filantrópicos e abnegados |
Extensiva a todos |
|
Prescinde de gerenciamento |
Demanda
de gerenciamento |
|
Decisão
individual |
Decisão
consensual |
Fonte: Mueller apud Melo Neto e Froes.
2.4
Marketing Social
No Brasil, muitas vezes, o termo
marketing social vem sendo utilizado para designar atuação
empresarial no campo social com objetivo de obter diferenciais
competitivos, sem que essas ações visem influenciar
comportamentos coletivos. No entanto, segundo Araújo, ações
sociais promovidas pelas empresas, classificadas como
responsabilidade social, ou qualquer outro termo, na maior parte
das vezes não empregam estratégias de marketing social, mas
apenas, ações de promoção social, utilizando-se para isso, de
marketing comercial[xxxii].
Kotler & Armstrong, teóricos que
abordam a discussão sobre marketing desde a década de 1970,
definem marketing social como “o desenho, implementação e
controles de programas que buscam aumentar a aceitabilidade de
uma idéia, causa ou prática social junto aos públicos alvos”[xxxiii].
Ou seja, marketing social seria uma ação empresarial no sentido
de conquistar a simpatia e adesão de seu público alvo em prol da
causa social que defende ou dos projetos que promove. Os autores
explicam, ainda, que o marketing societário ou societal parte do
pressuposto de que “a organização deve determinar necessidade,
desejos e interesses dos mercados-alvo, e então proporcionar aos
clientes um valor superior de forma a manter ou melhorar o
bem-estar do cliente e da sociedade”[xxxiv].
No entanto,
marketing social não deve ser confundido com o “marketing
relacionado a uma causa” ou a simples utilização de instrumentos
de marketing para divulgar ações sociais de uma empresa, tornar
pública sua postura socialmente responsável ou mesmo melhorar
sua imagem junto à sociedade, porque estas ações não têm o
objetivo de promover mudanças. O marketing social é mais do que
a simples divulgação é a escolha de uma causa, o empenho em
conseguir adesões e a prática da ação social.
Segundo Felix, em seu trabalho
premiado pelo Instituto Ethos, intitulado O ganho da imagem
conquistado após divulgação da responsabilidade social
empresarial, as empresas estão procurando adotar
posturas socialmente e ambientalmente responsáveis, ou seja,
mais corretas na visão dos consumidores, acreditando que essa
comunicação de marketing possa agregar valor diferencial as
suas marcas. A autora ainda considera que: “Com a mudança no
mercado e a ampliação de ofertas, o cliente não é mais fiel a
uma única marca, principalmente se ela não demonstrar uma
quantidade maior de valores que os já tradicionais”[xxxv].
Dessa forma, podemos destacar a
importância da utilização dos instrumentos de marketing para
empresas que apostam na causa social e/ou ambiental, seja com o
propósito de ocasionar alguma mudança no comportamento da
sociedade, seja com o propósito de agregar um valor diferenciado
a sua imagem corporativa e conseqüentemente aumentar seus
lucros.
2.5
Conscientização Social dos Consumidores
Por consumo responsável
entendemos a escolha de um produto a partir de critérios que vão
além de seu preço e qualidade, mas considerando sua história e a
conduta das empresas que os oferecem no mercado. Trata-se,
portanto, de uma nova modalidade de consumo, onde comprar é um
ato de cidadania, uma vez que o consumidor consciente considera
o impacto da sua compra e uso de produtos e serviços sobre a
sociedade e meio ambiente[xxxvi].
Segundo o
documento da Fundação Ecología e Desarrollo as atividades
relacionadas ao consumo responsável podem ser caracterizadas e
divididas em três categorias principais: Produtos “Verdes”;
Comércio Justo e Campanhas Sociais ou Boicotes.
A decisão
pelo consumo de produtos “verdes” é cronologicamente a primeira,
e mais conhecida, manifestação do consumo socialmente
responsável. Nessa categoria, grupos de consumidores, valorizam,
optam e exigem das empresas um maior respeito aos recursos
naturais no processo de produção.
O denominado
Comércio Justo pode ser entendido como a garantia que as
empresas oferecem aos consumidores do cumprimento de certos
critérios sociais e ambientais, tanto por parte dos produtores,
quanto por parte dos distribuidores e importadores.
As campanhas Sociais, ou
boicotes, promovidos por grupos de consumidores, têm a
finalidade de interromper a compra de um ou vários produtos de
uma empresa. Essa ação tem o objetivo de pressionar esses
empresários a modificarem seu comportamento com relação a
aspectos sociais e/ou ambientais que estariam, de alguma forma,
prejudicando a sociedade (seus stakeholders, em geral)[xxxvii].
Dessa forma, o social torna-se
um diferencial competitivo nos negócios. Uma imagem
institucional forte impõe-se diante da tendência inevitável da
comoditização de produtos e serviço, e nesse particular, a
imagem de uma empresa socialmente responsável é cada vez mais
valorizada pelos clientes, consumidores e público, em geral. De
acordo com Melo Neto, “(...) é portanto, o “novo consumidor” o
principal agente de transformação social das empresas. Seus
anseios, atitudes e, principalmente, o seu nível de
conscientização são os fatores geradores de uma mudança no papel
social das empresas”[xxxviii].
A revista
Época, de 21 de novembro de 2005, teve como sua matéria de capa
a temática do consumo consciente. A matéria, intitulada
Compras para salvar o mundo, além de apresentar diversos
exemplos de consumidores que utilizam seu poder de escolha para
premiar ou punir empresas por atitudes sociais e ambientais
ainda oferecia uma espécie de guia do consumidor consciente, no
qual problemas e soluções relacionados ao consumo e dejeto de
produtos comuns (como papel, embalagens plásticas, computadores,
chocolate, carne e roupas) eram discutidos.
Segundo a
revista:
“É cada vez maior o número de consumidores que apostam no
poder de escolha no caixa do supermercado para mudar o
mundo. Acreditam na eficácia de pequenos atos, como boicotar
uma empresa com relações trabalhistas suspeitas ou fechar a
torneira enquanto se ensaboa a louça. Em geral, são jovens
adultos, de bom poder aquisitivo e alto grau de instrução”
[xxxix].
Uma pesquisa do Akatu, em
conjunto com o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade
Social, realizada em 2004, revela que cerca de 65% da população
brasileira se mostra disposta a reduzir um pouco seu padrão de
vida para melhorar e/ou agredir menos o meio ambiente e 91%
acreditam que as empresas devem ajudar a construir uma sociedade
melhor[xl].
A mesma pesquisa garante que,
enquanto 17% dos entrevistados declaravam ter prestigiado
empresas responsáveis, 14% diziam ter deixado de comprar
mercadorias de companhias que tinham feito algo errado. No
entanto, apenas 6% dos brasileiros podem ser considerados
consumidores conscientes, ou seja, consumidores que praticam
entre 11 e 13 ações estabelecidas como características desse
tipo de consumo, como pedir nota fiscal ou ler rótulos de
produtos[xli].
O gráfico
abaixo, elaborado pelo Instituto Ethos em parceria com o Akatu,
apresenta, de forma comparativa, a porcentagem de consumidores
brasileiros que preferem comprar produtos de empresas
responsáveis em relação a consumidores de outros países.
Um dos exemplos que se destacam
no gráfico é o caso da Austrália, onde 53% dos consumidores
preferem produtos de empresas responsáveis, seguido do Canadá e
EUA (ambos com 44% ). Outro exemplo que pode ser ressaltado é o
da Grécia, em que apenas 4% dos consumidores fazem a opção por
um produto considerando suas práticas sociais e ambientais.
Nessa pesquisa, o Brasil se encontra em posição mediana
apresentando um valor de 17%[xlii].

Ilustração
1 - Porcentagem dos consumidores que dão preferência a empresas
socialmente responsáveis.
Fonte:
Revista Época, 2005, p.98.
Conclusão
O fenômeno
da Responsabilidade Social Empresarial traz a tona uma ampla
discussão. Ainda que, em um primeiro momento, tenhamos a
predisposição em acreditar que as empresas estão investindo na
área social de forma quase desinteressada ou mesmo visando
apenas uma maior simpatia do consumidor e fortalecimento de sua
marca, podemos encontrar outras motivações mais convincentes
para o fenômeno.
Após longa
discussão acerca das imposições do mercado externo para que
empresas de países em desenvolvimento pudessem exportar seus
produtos e competir no mercado, entendemos uma necessidade maior
do que a simples vontade de atuar na área social. Ser uma
empresa socialmente e ambientalmente responsável tornou-se
requisito fundamental para empresas que buscam se expandir ou
mesmo se firmarem no mercado. Instituições internacionais como a
ONU, a OIT e a OMC formulam a todo instante, normas e princípios
a serem seguidos pelas empresas. Na maior parte das vezes, esses
princípios estipulam a erradicação e eliminação de graves
problemas sociais cuja solução não depende apenas da iniciativa
empresarial, mas que mesmo assim se constituem em uma importante
iniciativa rumo ao desenvolvimento.
Outro fator
que merece destaque quando falamos sobre as razões que teriam
incentivado a adoção de práticas socialmente e ambientalmente
responsáveis pelas empresas são as motivações de caráter
econômico. Uma empresa socialmente responsável, que incentiva
valores éticos no ambiente de trabalho, mantém uma boa relação
com seus stakeholders e publica anualmente seu Balanço
Social, se mostra mais transparente e confiável, ganhando assim,
maior credibilidade, que vem a facilitar negociações comerciais.
Além disso, a empresa pode utilizar incentivos fiscais para
investir nessas ações, não precisando, portanto, lançar mão de
seus próprios recursos, apenas transferindo e gerenciando
valores que seriam pagos ao Estado, na forma de impostos. A
própria Reforma do Estado veio a facilitar essas atividades, uma
vez que abriu brechas para o capital privado se ocupar de
atividades sociais, amenizando a demanda por serviços públicos
para a sociedade.
Ainda que a
prática da responsabilidade social possa ser considerada
extremamente lucrativa, uma vez que agrega um importante
diferencial à marca, não devemos esquecer que de acordo com os
dados apresentados pela Revista Época, os consumidores que
fazem a opção por um produto ou marca socialmente e
ambientalmente responsáveis ainda se restringem aos extratos
mais favorecidos da sociedade, uma vez que para a prática do
consumo responsável é necessário um maior acesso à informação
dessas empresas, normalmente disponibilizados, apenas, pela
internet.
[i]BRUNNER,
José Joaquim. Contextos da Globalização: A tese
dos Grandes Efeitos. In: Educação na América Latina.
Brasília: UNESCO, OREALC, 2002, p. 21.
[iv]
BALL, Stephen J. Performatividade, Privatização e o
Pós - Estado do Bem-Estar. In: Educ. Soc., Campinas,
2004, vol 25, n. 89, p 1106.
[vi]
DUPAS, Gilberto. O discurso hegemônico do livre mercado
e vulnerabilidade dos grandes países da periferia.
Revista Política Externa. São Paulo: Ed. Paz e
Terra, Vol.10, nº3, Dez./Jan./Fev., 2001/2002, p.78.
[ix]
THORSTENSEN, Vera.
O
Brasil diante de um tríplice desafio: negociações
simultâneas da OMC, da Alca e do acordo CE/Mercosul.
Revista Política Externa. São Paulo: Ed. Paz e
Terra, Vol.10, nº3, Dez./Jan./Fev., 2001/2002, p.101.
[xiii]
TORRES, Ciro.
Um pouco da história do Balanço Social.
2003. Instituto Brasileiro de Análises Sociais e
Econômicas (IBASE).
Disponível em: <http://www.balancosocial.prg.br/> Acesso
em: 1/08/2005.
[xviii]
MELO NETO, Francisco Paulo de & BRENNAND, Jorgiana Melo.
Empresas Socialmente Responsáveis: O Novo Desafio
da Gestão Moderna. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2004, p.
3.
[xix]
MELO NETO & BRENNAND apud DICKSON. Empresas
Socialmente Responsáveis, p. 3.
[xxi]
MELO NETO & BRENNAND apud FRAEDRICH & FERREL.
Empresas Socialmente Responsáveis: O Novo Desafio da
Gestão Moderna, p. 4.
[xxii]
SIMÕES CORRÊA & MEDEIROS apud ASHLEY.
Responsabilidade Social Corporativa para quem? Anais
de Congresso. INTERCOM – sociedade Brasileira de Estudos
Interdisciplinares da Comunicação – Salvador/ BA – 1 a 5
Set 2002, p.4-5. Disponível em:
<http://www.intercom.org.br> Acesso em: 16/11/05.
[xxiii]
MUELLER, Adriana apud COSTA. A utilização dos
indicadores de responsabilidade social corporativa e sua
relação com os stakeholders. Florianópolis, 2003.
Dissertação (Mestrado). Universidade Federal de Santa
Catarina, p.20.
[xxviii]
SIMÕES CORREA & MEDEIROS apud MELO NETO & FROES.
Responsabilidade Social Corporativa para quem?
p.4
[xxxi]
MUELLER, Adriana apud MELO NETO & FROES. A
utilização dos indicadores de responsabilidade social
corporativa e sua relação com os stakeholders, p.63.
[xxxii]
ADULIS apud ARAÚJO. Marketing Social: Usos
e Abusos. Associação Brasileira para o Desenvolvimento
de Lideranças (ABDL) 2004, sp. Disponível em:
<http://www.abdl.org.br/>Acesso em: 20/06/05.
[xxxiv]
MELO NETO & BRENNAND apud KOTLER &
ARMSTRONG. Empresas Socialmente Responsáveis: O
Novo Desafio da Gestão Moderna, p.3.
[xxxv]
FELIX, Joana D´Arc Bicalho. O ganho da imagem
conquistado após divulgação da responsabilidade social
empresarial. Universidade Católica de Brasília (UCB).
Prêmio Ethos – Valor - 5ª Edição – Categoria
Pós-Graduação, p.8. Disponível em: <http://www.uniethos.org.br>
Acesso em: 10/11/2005.
[xxxvi]
MELO NETO & BRENNAND.
Empresas
Socialmente Responsáveis,
p. 17.
[xxxvii]
FUNDACÍON ECOLOGÍA E DESARROLLO (ECODES).
Responsabilidad Social Corporativa Y Políticas Públicas.
Colecíon “La Empresa de Mañana”.
Informe 2004, p.40-41. Disponível em:
<http://ecodes.org>. Acesso em: 05/10/2005.
[xxxviii]
MELO NETO & BRENNAND. Empresas Socialmente
Responsáveis, p. 2.
[xxxix]
NOGUEIRA, Tânia. Compras para salvar o mundo.
Revista Época. São Paulo: Editora Globo, 21 de Novembro
de 2005, p.92.
[xlii]
Ibid., 98.
Referências
Bibliográficas:
CENTRO INTERNACIONAL DE FORMAÇÃO DA OIT.
Responsabilidade Social das Empresas e sua Contribuição
ao Desenvolvimento Local. Documentos de Trabalho.
Doc.30. Disponível em: <http://learning.itcilo.org/delnet/pg/frames/marcos.asp?seccion=publicaciones>
Acesso em: 15/07/2005.
DUPAS, Gilberto. O discurso hegemônico do livre mercado
e vulnerabilidade dos grandes países da periferia.
Revista Política Externa. São Paulo: Ed. Paz e
Terra, Vol.10, nº3, Dez./Jan./ Fev., 2001/2002, p.78-91.
| |
Veronica Vaz Mageste* –
Mestranda em Politicas Sociais, Universidade
Estadual do Norte Fluminense/UENF
Ailton Mota de Carvalho**- Prof. Do CCH/LEEA,
Universidade Estadual do Norte Fluminense/UENF-
Chefe do Laboratório de Estudos do Espaço Antrópico,
Doutor em Ciencias Sociais (Flacso/UNb)
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