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Pesquisa investiga racismo no Brasil
A
Fundação Perseu Abramo divulgou, recentemente, o resultado da
pesquisa “Discriminação racial e preconceito de cor no Brasil”,
realizada com 5.003 pessoas com 16 anos ou mais, em 266 municípios
brasileiros, incluindo as capitais de 24 estados, distribuídos em
834 setores censitários, urbanos e rurais, nas cinco regiões do
país.
O objetivo era investigar a percepção
do preconceito de cor e práticas discriminatórias, em busca de novos
subsídios para políticas públicas e intervenções do movimento
social, contribuir para a reflexão e subsidiar a ação de agentes
sociais envolvidos com o desenvolvimento e fortalecimento da
cidadania das populações racialmente discriminadas.
A pesquisa
revelou, entre outros dados, que em 8 anos o preconceito racial
assumido caiu de 12% para 4% e que o preconceito manifesto
indiretamente diminuiu de 87% (em 95) para 74% (em 2003). Apesar de
ainda ser um índice alto, há um avanço positivo.
A questão
que se coloca, é se essa queda nos índices reflete uma mudança real
de atitude das pessoas ou se apenas mostra mais atenção para o
discurso “politicamente correto”.
Gustavo
Venturi, coordenador da pesquisa e do Núcleo de Opinião Pública (NOP)
da Fundação Perseu Abramo, avalia que as duas hipóteses são
verdadeiras. De um lado, ¼ da população brasileira representada na
pesquisa do NOP não estava no levantamento de 8 anos atrás, ou seja,
o contingente que tem hoje de 16 a 24 anos. É exatamente nesse
contingente que o preconceito de cor é menor. Além disso, como a
crítica sobre o racismo aumentou nos últimos anos, a retórica
politicamente correta certamente também tem contribuído para coibir
as manifestações mais claras de preconceito. Venturi entende que, de
qualquer forma, é um avanço, pois mostra que a sociedade está mais
atenta para essa questão e que as pessoas preconceituosas se sentem
mais acuadas.
A partir dos
resultados obtidos, as pesquisadoras Gevanilda Santos e Maria
Palmira da Silva organizaram o livro “Racismo no Brasil: Percepções
da discriminação e do preconceito racial no século XXI”, que traz
uma síntese dos dados da pesquisa e artigos de especialistas de
diferentes partes do país abordando a situação da população negra,
principalmente, do ponto de vista da educação, da segurança pública,
das ações afirmativas, da cultura política de negação do racismo
institucional, da identidade racial brasileira, da saúde, do mercado
de trabalho, do lazer da juventude, das religiões afrodescendentes,
entre outros.
A pesquisa
está disponível no site
www.fpabramo.org.br/nop.
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